Aquecimento global: o que é ponto de não retorno?

11 de outubro de 2021 4 mins. de leitura
Aquecimento global pode ter chegado a um ponto irreversível com consequências dramáticas para o planeta, alertam cientistas

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O ponto de não retorno é um conceito utilizado para indicar quando as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global não poderão ser mais revertidas. Uma expedição ao Polo Norte, que envolveu 300 cientistas, de 20 países, durante 8 meses, identificou provas de que esse momento crítico já foi alcançado.

A equipe internacional de cientistas concluiu que o desaparecimento do gelo de verão da região do Ártico chegou a um círculo vicioso. Nos últimos anos, o recuo das geleiras na Groenlândia tem acontecido de maneira acelerada. Elas estão sendo substituídas por camadas de gelo menos branca, o que é um problema porque materiais mais escuros absorvem mais calor, aumentando o derretimento.

Esse processo tem levado ao aumento do nível do mar. Além disso, ele provoca a desaceleração das correntes oceânicas, o que está relacionado à alteração da climatologia mundial e à ocorrência de eventos meteorológicos extremos. O desaparecimento desses enormes blocos de gelo significa, ainda, menor disponibilidade de água doce.

Como o ponto de não retorno afeta o Brasil?

Derretimento de geleiras no Ártico pode contribuir para a redução de chuvas no Brasil. (Fonte: Shutterstock/Tony Skerl/Reprodução)
Derretimento de geleiras no Ártico pode contribuir para a redução de chuvas no Brasil. (Fonte: Shutterstock/Tony Skerl/Reprodução)

O Brasil pode ser afetado diretamente com a perda completa da cobertura florestal amazônica, alterando todo o regime de chuvas da região Centro-Sul do Brasil. Um relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontou que o agronegócio brasileiro pode ser inviabilizado nas próximas décadas, com a desertificação da área central do País.

Além do desmatamento e das queimadas, a região amazônica é atingida pela desaceleração da circulação meridional de capotamento do Atlântico (AMOC), sistema de correntes de ar superficiais e profundas, que leva umidade para a floresta. No último século, a temperatura média da região subiu em até 1,5°C, com a estação seca em algumas partes do bioma aumentando para cinco meses.

Se a Amazônia atingir o seu próprio ponto de não retorno, com uma perda de 20% a 25% da cobertura vegetal, a floresta poderá se tornar uma savana e provocar uma catástrofe regional com a redução de chuvas em toda a América do Sul. E ainda, lançar bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, agravando o aquecimento global em um efeito cascata impossível de ser parado.

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Sistema ILPF ajuda a pecuária a neutralizar a emissão de gases de efeito estufa. (Fonte: Embrapa/Fabiano Marques Dourado Bastos/Reprodução)
Sistema ILPF ajuda a pecuária a neutralizar a emissão de gases de efeito estufa. (Fonte: Embrapa/Fabiano Marques Dourado Bastos/Reprodução)

O agronegócio é um dos setores mais vulneráveis às mudanças climáticas, entretanto, pode ter um papel fundamental para a remoção dos gases de efeito estufa (GEEs) da atmosfera. O setor agropecuário brasileiro possui tecnologias pioneiras de agricultura de baixo carbono, capazes de contribuir para a mitigação do aquecimento global e a promoção da sustentabilidade sem reduzir a produtividade.

As emissões dos animais, responsáveis pela maior parte dos GEEs do agronegócio, podem ser neutralizadas com o uso de pastagens e pela recomposição florestal a partir da adoção do modelo de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Na agricultura, as áreas degradadas podem ser recuperadas com técnicas como o Sistema Plantio Direto e a Fixação Biológica de Nitrogênio.

Além disso, o setor agropecuário é capaz de contribuir com a ampliação da eficiência energética, produzindo biocombustíveis e energia de fontes alternativas de biomassa para substituir combustíveis de origem fóssil e geradores de gases poluentes.

Fonte: Phys, Estadão, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

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