Entenda os efeitos do La Niña na agricultura até 2023

18 de julho de 2022 4 mins. de leitura
O fenômeno La Niña se intensificou a partir de abril, e as mudanças climáticas causadas por ele devem durar até a próxima safra

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O fenômeno La Niña vem, desde setembro de 2020, influenciando o clima global e gerando preocupação aos agricultores. Apesar de ter enfraquecido em fevereiro e maio, o esfriamento das águas superficiais na região da Linha do Equador no Oceano Pacífico começou a ser registrado pelos serviços de acompanhamento meteorológico em abril.

Normalmente, o evento pode durar de nove meses a dois anos. No entanto, a alteração no regime mundial de ventos — importante para o equilíbrio climático — está sendo afetada pelo aquecimento global, fazendo o fenômeno durar até fevereiro de 2023, como indicado pela Administração Americana de Oceano e Atmosfera (NOAA).

O La Niña do trimestre de outono foi o mais intenso desde o início da série histórica mantida pelo NOAA. No período, a média das temperaturas no Pacífico foi de -1,1°C, em comparação a -1,2°C registrados em 1950. Um número tão baixo assim entre março e maio só foi registrado seis vezes nas últimas décadas.

Impacto do La Niña na agricultura

(Fonte: Gustavo Mansur/Palácio Piratini/Divulgação)
La Niña provocou a quebra da safra de milho no Rio Grande do Sul. (Fonte: Gustavo Mansur/Palácio Piratini/Reprodução)

O La Niña altera o regime de chuvas em todo o planeta, afetando diversas culturas. O evento climático favorece as estiagens em importantes regiões produtoras de grãos do mundo, como o Sul do Brasil, a Argentina e os Estados Unidos, provocando perdas de produtividade e até quebra de safra.

A ocorrência reiterada tem diminuído o interesse dos agricultores em certas culturas, causando um efeito a longo prazo no balanço global. A redução das lavouras argentinas de trigo, responsáveis por cerca de 8% das exportações mundiais, e das lavouras brasileiras de milho, que exportam cerca de 20% do volume global, está relacionada ao fenômeno dos últimos dois anos.

Porém, regiões áridas, como o Nordeste e o Centro-Oeste brasileiros e a Austrália, são beneficiados com uma precipitação acima do normal, favorecendo a rentabilidade das plantações. Os australianos, por exemplo, têm visto a sua produção de trigo bater recordes, saindo de 14,5 milhões de toneladas, em 2019/2020, para 36 milhões de toneladas em 2021/2022.

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Inverno no Brasil

Região Sul corre mais risco de geada durante o inverno por conta do La Niña. (Fernando Dias/Seapdr/Divulgação)
A Região Sul corre mais risco de geada durante o inverno por conta do La Niña. (Fernando Dias/Seapdr/Reprodução)

No Brasil, o La Niña gerou temperaturas mais frias antes do início do inverno. No Sul, Sudeste e até em Mato Grosso do Sul, o fenômeno favorece a ocorrência de geadas e de estiagem, que pode comprometer o desenvolvimento de várias lavouras.

Diferente de outros anos, a falta de chuvas não é motivo de preocupação para os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Há um bom acúmulo de umidade no solo das precipitações de abril e maio, de acordo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O evento provoca uma maior precipitação tanto no Norte e no Leste da Amazônia, onde pode causar enchentes, quanto na região semiárida do Nordeste, beneficiando as atividades agrícolas. Já no Centro-Oeste, as previsões indicam que a anormalidade não deve provocar fortes alterações relacionadas à média climatológica.

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Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)Administração Americana de , Oceano e Atmosfera (NOAA), MetSul

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