Mudanças climáticas: Centro-Oeste já perdeu 28% das áreas agrícolas

1 de dezembro de 2021 4 mins. de leitura
Mudanças climáticas podem tirar mais da metade da região da zona climática ideal até 2030, e percentual pode subir para 74% nos próximos 40 anos

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O efeito das mudanças climáticas já está sendo sentido no Centro-Oeste, região responsável por metade da produção agrícola brasileira. Cerca de 28% das áreas agriculturáveis estão fora do padrão climático ideal para o cultivo de soja e milho, por exemplo, segundo o estudo “O Limite Climático para a Agricultura no Brasil”, publicado na revista Nature Climate Change.

O aumento de temperatura e as mudanças no regime de chuvas vêm diminuindo a produtividade de grãos em uma das mais novas fronteiras agrícolas do Brasil, a qual envolve os estados do Maranhão, de Tocantins, do Piauí e da Bahia (Matopiba). A partir de 2012, os produtores deixaram de plantar a segunda safra por conta das perdas provocadas pelas adversidades climáticas.

O estudo alerta que, se nada for feito, a porcentagem de áreas agriculturáveis fora do padrão de clima ideal deve aumentar para 51% até 2030 e chegar a 74% em 2060. Para evitar que essa estimativa se confirme, é necessário investir em restauração de ecossistemas e manutenção da vegetação ainda existente, segundo os pesquisadores.

Desenvolvimento do estudo

Preservação do cerrado pode evitar mais perdas para o agronegócio. (Fonte: A.PAES/Shutterstock)
Preservação do cerrado pode evitar mais perdas para o agronegócio. (Fonte: A.PAES/Shutterstock)

O estudo abrangeu uma área de quase 2 milhões de quilômetros quadrados em 679 municípios de Mato Grosso e do Matopiba, que juntos são responsáveis por metade da produção agrícola brasileira. Os cientistas tomaram como referência a produtividade e as condições climáticas da década de 1970, quando o Centro-Oeste passou por uma intensificação da ocupação pela agropecuária.

Como parâmetros, foram analisadas as tendências de expansão da agricultura, áreas com um ou mais cultivos por safra, quantidade de areia no solo e adequabilidade climática ligada à produtividade de áreas plantadas. Os dados foram comparados a partir de levantamentos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como uma série histórica de 1976 a 2020 para a soja e de 2003 a 2020 para o milho. Além disso, os cientistas observaram as condições climáticas mensais do mesmo período.

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Mudanças climáticas podem inviabilizar produção agrícola no Centro-Oeste. (Fonte: Sima/Shutterstock)
Mudanças climáticas podem inviabilizar produção agrícola no Centro-Oeste. (Fonte: Sima/Shutterstock)

A agricultura brasileira é altamente dependente do regime de chuvas, o que torna as alterações no clima ainda mais preocupantes. As mudanças climáticas podem colocar em risco a sustentabilidade econômica da produção agrícola tanto para o mercado doméstico quanto para o internacional.

O estudo ainda apontou que o prejuízo para o agronegócio causado pelas mudanças climáticas ocorre em lavouras com e sem irrigação. Nas lavouras irrigadas de soja, a perda na safra estimada pelos cientistas chegou a 11 quilos por hectare no Matopiba e a 114 quilos por hectare no Mato Grosso; no cultivo sem irrigação, o prejuízo foi de 5 quilos por hectare no Matopiba e 26 quilos por hectare no MT.

No caso da safrinha de milho, as perdas do cultivo irrigado foram de 24 quilos por hectare no Matopiba e 665 quilos por hectare no Mato Grosso, enquanto as plantações irrigadas tiveram queda de produtividade de até 1.353 quilos por hectare no Matopiba e 892 quilos por hectare no Mato Grosso.

Quando ocorre o El Niño, a situação é ainda pior devido à potencialização do fenômeno climático pelo efeito estufa. A perda de produtividade na safra de soja chega a ser até três vezes maior e no milho, até nove vezes maior. 

Fonte: Nature Climate Change.

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