Como reduzir os riscos de mercado na comercialização da safra?

25 de fevereiro de 2021 5 mins. de leitura
Aumento da volatilidade no mercado de commodities pode comprometer caixa de empresas agropecuárias, mas o risco pode ser amortecido com produtos financeiros

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A comercialização antecipada da safra tem sido uma estratégia cada vez mais adotada pelos produtores rurais para se protegerem das possíveis variações de preços de insumos e de commodities agrícolas. No entanto, essa prática também apresenta riscos próprios, que podem ser diminuídos com uma gestão financeira apropriada.

A negociação das commodities diretamente na Bolsa de Valores, por exemplo, pode ser influenciada pela volatilidade do mercado, com o aumento dos custos de transações e a maior necessidade de reserva de caixa. Consequentemente, isso pode reduzir a margem de lucro dos produtores rurais e de outros players do agronegócio.

Por outro lado, “a digitalização da agricultura e a troca das gerações têm democratizado o acesso às ferramentas de gestão de risco”, afirmou Guilherme Bellotti de Melo, gerente de consultoria agro do Itaú BBA. 

Em entrevista para o Canal Agro, o executivo explica como as recentes oscilações do preço de ações da Gamestop e da prata podem afetar os produtos agrícolas e de que forma o agricultor pode se precaver dos movimentos bruscos de mercado como esses.

Oscilações do mercado

Enquanto a safra 20/21 é colhida, produtores já fecham contratos de venda para a próxima. (Fonte: Shutterstock/Fotokostic/Reprodução)
Enquanto a safra 20/21 é colhida, produtores já fecham contratos de venda para a próxima. (Fonte: Shutterstock/Fotokostic/Reprodução)

O mercado financeiro se surpreendeu com a impressionante alta das ações da Gamestop, uma empresa norte-americana de videogames. Em apenas sete dias no final de janeiro, a empresa foi valorizada em 87% em um movimento coordenado pelas redes sociais, que provocou um prejuízo de US$ 13 bilhões para os investidores tradicionais. No início de fevereiro, por meio da mesma rede social, investidores fizeram o preço da prata subir 16% em apenas dois dias. 

Melo afirma que, no caso da Gamestop, o espaço para o impacto é muito grande, porque é negociado um volume menor. “Quando a gente olha as commodities como um todo, é um volume maior, então precisa de uma robustez de movimento um pouco maior”, ele argumentou. Por isso, o executivo analisa que é muito difícil a médio prazo a manutenção desses movimentos alcançar produtos e negociações agrícolas. “Mas nada impede que em um dia ou no outro, o mercado tenha uma grande volatilidade”, ele completou.

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Qual é o impacto das oscilações do mercado financeiro no agronegócio?

Mesmo sem um impacto direto no agronegócio, essas oscilações tendem a aumentar o nível de insegurança para as commodities agrícolas, em especial para as vendas futuras, como é o caso da comercialização antecipada da safra.

Quando o produtor faz a venda antecipada na Bolsa de Valores, a operação prevê o aporte de garantias — para cobrir eventuais inadimplências — e a chamada de margens (um ajuste diário entre o preço negociado e o valor de mercado de um produto). Esses dois fatores são influenciados diretamente pela volatilidade do mercado.

Com um cenário mais instável, a tendência é que seja cobrado um valor maior de aporte de garantias. Entretanto, o impacto das grandes oscilações de mercado é maior na chamada de margem.

“Vamos supor que o produtor queira vender a soja em maio e vá fixar o preço a US$ 13 por bushel em Chicago”, exemplificou o gerente de consultoria. “Todo dia que esse meu contrato fechar acima de US$ 13, o produtor paga um ajuste para bolsa. Toda vez que a cotação fechar abaixo, ele recebe um ajuste”, ele explicou.

Gestão de riscos

Bancos podem amortecer impacto das oscilações do mercado em contratos de venda antecipada de commodities agrícolas. (Fonte: Shutterstock/oatawa/Reprodução)
Bancos podem amortecer impacto das oscilações do mercado em contratos de venda antecipada de commodities agrícolas. (Fonte: Shutterstock/oatawa/Reprodução)

Com a maior volatilidade, a variação do preço tende a ser maior. Dessa forma, a chamada de margem exige disponibilidade imediata de caixa para cobrir eventuais oscilações desfavoráveis. “Se o produtor não estiver preparado para isso, pode enfrentar problemas com a saúde financeira”, alertou Melo.

“No caso específico das chamadas de margens e dos aportes adicionais de garantia para operações em bolsa, existem instrumentos para minimizar esses riscos através das operações de balcão”, informou Melo. Por meio do Non-Deliverable Forward (NDF), por exemplo, em vez de fazer a transação direto na bolsa, o produtor pode contratar o serviço por meio de algum banco.

“A instituição financeira corre o risco dos ajustes diários e faz o aporte de garantia em favor do produtor e depois, ao final do contrato, o banco zera a operação com o produtor”, explicou o gerente. Dessa forma, o instrumento ajuda a tirar a imprevisibilidade da chamada de margem devido ao aumento de volatilidade, reduzindo os riscos da operação.

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Fonte: Diretoria de Agronegócio Itaú BBA.

Canal Agro