Brasil aprova novo tipo de milho transgênico para uso comercial

14 de julho de 2022 4 mins. de leitura
Milho transgênico EH913 apresentou alta eficácia para o manejo contra lagarta-do-cartucho, principal praga da cultura

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A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou por unanimidade o uso comercial de um novo tipo de milho transgênico no Brasil. O evento EH913 utiliza um gene resistente da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) para funcionar como pesticida contra os insetos que atacam a cultura.

Em experimentos realizados em laboratório, o cereal modificado geneticamente apresentou alta eficácia contra a lagarta-do-cartucho, principal praga do milho, inclusive contra as populações resistentes aos bioinseticidas à base de Bt. O milho transgênico se mostrou eficiente também contra a broca-da-cana.

A tecnologia, desenvolvida nacionalmente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a empresa privada Helix Sementes deve ser exportada para outros países. Até o momento, apenas duas companhias oferecem a solução no mercado global, e por enquanto a data de início da comercialização não foi definida.

Milho transgênico no Brasil

Produtos derivados de milho transgênico podem ser encontrados nos supermercados. (Fonte: Marcos Oliveira/Agência Senado/Reprodução)
Produtos derivados de milho transgênico podem ser encontrados nos supermercados. (Fonte: Marcos Oliveira/Agência Senado/Reprodução)

A comercialização de espécies de milho transgênico foi autorizada no Brasil em 2007, mas as primeiras lavouras foram implantadas somente na safra 2008/2009. Cerca de 96% da produção nacional do grão são de organismos geneticamente modificados (OGMs).

Em junho, a CTNBio também aprovou a importação dos milhos DP-ØØ4114-3 e DAS-59122-7, ambos resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas. A medida foi solicitada pelas indústrias de carne suína e de frango, representadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), para enfrentar a alta dos insumos básicos no setor.

Além deles, pelo menos outros 38 tipos de milho transgênicos foram aprovados pela instância responsável por subsidiar as decisões governamentais de liberar os OGMs. Cada espécie precisa ter uma autorização especial para consumo humano ou ração animal.

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OGMs na agricultura brasileira

(Fonte: Shutterstock/Reprodução)
CTNBio já autorizou o uso de genes modificados em 5 culturas no Brasil. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

O milho não é o único transgênico na agricultura brasileira. As sementes utilizadas nos cultivos de soja e algodão também são, em sua quase totalidade, modificadas geneticamente. Há aprovação ainda para o uso de tecnologia de modificação de genes em feijão e cana-de-açúcar.

No ano passado, o trigo entrou para a lista de liberação de importação de produtos OGM no Brasil. A decisão foi rejeitada inicialmente pela indústria, contudo, após pesquisas de mercado mostrarem que não houve resistência dos consumidores, as entidades representativas passaram a defender o uso. Ainda não há previsão para o produto chegar ao mercado.

Riscos e benefícios dos alimentos transgênicos

As culturas transgênicas apresentam melhor produtividade e condições mais fáceis de manejo das lavouras, o que possibilita a otimização dos recursos na agricultura. Geralmente, as sementes são resistentes a vírus, bactérias e insetos ou oferecem tolerância a herbicidas, permitindo um controle mais eficaz das pragas. Algumas espécies suportam o estresse hídrico, aumentando as áreas que podem ser cultivadas. Ainda assim, o uso de transgênicos não é uma unanimidade.

O controle das sementes por empresas privadas, que exigem o pagamento de royalties, é criticado, e há a possibilidade da contaminação de outras lavouras. Além disso, o aumento do uso de defensivos agrícolas pode deixar mais resíduos nos alimentos, gerando riscos para a saúde humana. Os críticos dos OGMs apontam ainda a possibilidade de desenvolvimento de alergias e o aumento da resistência das pragas às substâncias tóxicas.

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Fonte: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Sygenta, Ecycle, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Croplife Brasil

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