Conheça os principais produtos transgênicos da agricultura brasileira

10 de janeiro de 2022 5 mins. de leitura
Os transgênicos são plantas com modificações no DNA para aumentar sua produtividade ou torná-las mais resistentes a pragas

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Nas últimas décadas, o termo “transgênico” gerou intensos debates na sociedade brasileira — embora muitas pessoas ainda não saibam exatamente do que se trata. Em resumo, os transgênicos são plantas geneticamente modificadas, com implantação de genes de outras espécies. Essas mudanças sempre são realizadas com algum objetivo: maior produtividade, resistência a pragas ou defensivos, melhoria do conteúdo nutricional do alimento etc.

Nesse contexto, é interessante observar que o melhoramento genético é uma prática presente há muito tempo no agronegócio, com o cruzamento de plantas na lavoura ou em laboratórios. A diferença é que os transgênicos recebem genes de outras espécies: no feijão, por exemplo, há modificações com parte do DNA do vírus que causa o mosaico dourado, uma das principais pragas dessa cultura. 

Soja: a pioneira entre os transgênicos

A história dos transgênicos no Brasil começa ainda nos anos 1990, quando alguns produtores gaúchos importaram soja geneticamente modificada da Argentina. A comercialização desses grãos foi permitida por uma Medida Provisória de 1995, contestada alguns anos depois. 

Apenas em 2005, os transgênicos foram plenamente autorizados no Brasil, com a aprovação da lei n° 11.105/05, chamada de Lei da Biossegurança. Esse documento estipulou regras para empresas de biotecnologia e criou o processo de aprovação para novos produtos do gênero. Eles precisam ser submetidos à análise da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio), que analisa se eles são apropriados para consumo. Com a criação desse órgão, o caminho para a chegada de novos transgênicos foi pavimentado.

Desde meados dos anos 2000, a produção de soja transgênica cresceu exponencialmente no Brasil — atualmente, quase toda a produção desse grão em nosso país é geneticamente modificada para ter maior tolerância a pragas, a herbicidas e à seca.

A soja transgênica foi introduzida no Brasil ainda nos anos 1990. (Fonte: Shutterstock)
A soja transgênica foi introduzida no Brasil ainda nos anos 1990. (Fonte: Shutterstock)

Algodão, milho, feijão, eucalipto, cana-de-açúcar…

Outra cultura que prontamente abraçou as plantas modificadas foi a do algodão, pois as variedades transgênicas são mais produtivas e demandam menos defensivos, gerando, consequentemente, menores custos de produção. Estima-se que o algodão transgênico seja 99% da produção no Brasil hoje.

O milho, grão tão importante para o agronegócio brasileiro quanto a soja, recebeu variedades transgênicas no final dos anos 2000. Com maior resistência a herbicidas e insetos, o milho transgênico conquistou cerca de 90% das lavouras brasileiras.

Posteriormente, o feijão com partes do DNA do vírus do mosaico dourado foi disponibilizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), sendo usado principalmente por pequenos produtores. 

O eucalipto transgênico, aprovado em 2015, cresce mais rápido e, com isso, demanda menor área plantada. Ainda mais recente, a cana-de-açúcar foi modificada para sobreviver à broca da cana, sua principal praga.

Em 2021, um dos primeiros casos de transgênicos “rejeitados” pela indústria aconteceu com o trigo. O cereal geneticamente modificado para resistir à seca e aumentar a produtividade está enfrentando oposição do setor de panificação. Como a variedade é resistente a um defensivo proibido na Europa, os fabricantes temem a proibição dos produtos brasileiros no continente.

A cana-de-açúcar resistente à broca da cana está começando a se disseminar no Brasil. (Fonte: Shutterstock)
A cana-de-açúcar resistente à broca da cana está começando a se disseminar no Brasil. (Fonte: Shutterstock)

Os avanços conquistados com a transgenia

Mesmo cercados de debates e enfrentando oposição de outros setores, os transgênicos são responsáveis por diversos avanços no agronegócio. Foram as modificações que permitiram o plantio direto de grãos no País, com a nova safra sendo plantada sobre a palha da anterior, uma prática que aumenta a saúde do solo e a resistência a ervas daninhas. Isso diminuiu as perdas de produtividade, permitindo colheitas maiores na mesma área, além de menor uso de defensivos agrícolas. 

Estima-se que 183 milhões de hectares adicionais seriam necessários para manter a mesma produção sem as plantas modificadas. Somando todas as culturas, há cerca de 100 tipos de transgênicos aprovados para uso no Brasil, atualmente.

Vale mencionar que pessoas críticas à transgenia argumentam que eles podem causar danos à saúde humana e ao meio ambiente, por sua resistência a agrotóxicos e pela presença de genes de outras espécies. Porém, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que esses produtos são seguros e a regulação sobre os transgênicos é rigorosa para evitar qualquer risco à saúde. O Brasil, aliás, tem uma das legislações mais rigorosas nesse aspecto.

Ainda assim, quem se opõe a eles pode optar por alimentos orgânicos. No Brasil, os produtos com mais de 1% de ingredientes transgênicos precisam ter uma indicação na embalagem — um triângulo amarelo com a letra T na cor preta.

Fonte: Câmara dos Deputados, Embrapa, Crop Life, Agência Senado, Sociedade Nacional de Agricultura.

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