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Etanol apresenta quedas nas vendas em maio

Menos procura por combustíveis afetou o setor de cana-de-açúcar, prejudicando principalmente as usinas que trabalham apenas com etanol

Etanol apresenta quedas nas vendas em maio
22/06/2020 • 3 min. de leitura

Os impactos da pandemia de covid-19 no agronegócio chegaram também ao setor sucroenergético. Em um contexto em que as pessoas estão saindo menos de casa e, portanto, há menos comércio de combustíveis, o etanol apresentou queda sensível em seus números de vendas. De acordo com dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), houve uma retração de 22% no comércio de etanol na primeira quinzena de maio de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em números absolutos, foram 1,05 bilhão de litros, contra 1,35 bilhão, sendo que a maior parte desse volume (1,02 bilhão de litros) foi destinada ao mercado interno. Uma parte desse total é composta de etanol anidro, isto é, aquele misturado à gasolina. Porém, como a queda no comércio de combustíveis foi geral, essa categoria também apresentou queda em suas vendas: foram vendidos 292,57 milhões de litros na primeira quinzena de maio de 2020, contra 384,04 há um ano. Isso representa uma retração de 23,82%.

O etanol hidratado — o biocombustível disponível nos postos — teve uma redução de 24% nas vendas, totalizando 729,23 milhões de litros. Segundo o diretor técnico da UNICA, Antônio de Pádua Rodrigues, essa retração só não foi maior porque o combustível de cana-de-açúcar continua competitivo perante a gasolina.

Venda de etanol está caindo, em 2020 (Fonte: Pexels)
Venda de etanol está caindo em 2020. (Fonte: Pexels)

Produção direcionada para o açúcar

Com a queda na comercialização de combustíveis, o setor de cana-de-açúcar precisou recorrer a outros mercados. Nesse contexto, chama a atenção o crescimento da categoria de "etanol para fins não carburantes", impulsionada principalmente pela busca de álcool para limpeza, por conta da pandemia — 174,49 milhões de litros foram vendidos até a primeira quinzena de maio, um volume 87,17% maior do que na safra anterior. Mesmo assim, isso não é suficiente para compensar as quedas nas vendas do biocombustível, uma vez que o álcool para outras finalidades representa apenas 6% da movimentação das usinas.

Contudo, uma alternativa rentável para o setor é o açúcar. Ao longo da safra 2020-2021, cerca de 45% de toda a cana colhida foi destinada à produção de adoçante. Essa parcela era de 32% na mesma época do ciclo anterior. Segundo dados divulgados pela Unica, até o dia 16 de maio, 103,02 milhões de toneladas de cana-de-açúcar passaram pela moagem, 21,67% a mais do que no mesmo momento da safra 2019-2020.

Com essa participação maior do açúcar nas usinas, sua produção aumentou sensivelmente: são 5,49 milhões de toneladas, no acumulado do ano, contra 2,98 milhões em 2019. A boa notícia é que as vendas também estão em movimento de alta: embora o mercado interno tenha crescido apenas 4,14% (com vendas de 975 mil toneladas), as exportações cresceram 48,88% e alcançaram 2,38 milhões de toneladas.

Safra continua, mas focada na produção de açúcar (Fonte: Freepik)
Safra continua, mas focada na produção de açúcar. (Fonte: Freepik)

Setor busca auxílio para o etanol

Por outro lado, a produção de açúcar não é uma opção para uma parte das usinas de cana, que são responsáveis pela moagem de 15% da produção brasileira. Elas trabalham apenas na produção do biocombustível e estão sendo severamente impactadas pela diminuição em suas vendas.

“A situação está difícil, e as unidades que dependem apenas do etanol são obrigadas a vender o produto a qualquer preço para continuar produzindo e mantendo os empregos", explica o diretor técnico da Unica. Para auxiliar essas empresas, o setor está negociando modificações em tributos e subsídios para financiar o armazenamento de etanol, permitindo a comercialização dele a preços melhores.

Embora representantes do governo — como a Ministra da Agricultura Tereza Cristina — tenham sinalizado uma ajuda ao setor, os subsídios ainda não chegaram, de fato, aos produtores. "A disponibilidade de recursos financeiros para a armazenagem de etanol seria fundamental para equacionar o problema", completa Rodrigues.

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Fonte: União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).