Safra de cana 2020/2021 deve ter aumento de 3% na produtividade

Usinas da região Centro-Sul registram crescimento de 88% no processamento de cana-de-açúcar durante primeira quinzena de março

Safra de cana 2020/2021 deve ter aumento de 3% na produtividade
14/04/2020 • 3 min. de leitura

Com o início de uma nova safra de cana-de-açúcar em abril, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou expectativa de aumento de 3% na produção total do produto para 2020/2021, impulsionada pelo alto desempenho esperado da região Centro-Sul no novo ciclo. Segundo os cálculos feitos pela organização de serviços financeiros INTL FCStone, a região destacada pela Unica deve atingir processamento de 587,5 milhões de toneladas de cana durante a temporada.

O volume esperado superaria a safra de 2019/2020 em 2,4 milhões de toneladas, com produtividade média de 77 toneladas por hectare. O relatório da empresa do setor financeiro indica que estados como Goiás e Minas Gerais tiveram crescimento considerável no setor por conta de áreas reformadas e lavouras em expansão.

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

O estudo apontou também que, apesar de o clima seco afetar o crescimento da produtividade das safras nos últimos meses, os canaviais devem conseguir manter o nível de açúcares totais recuperáveis (ATR) em um patamar elevado. De acordo com a empresa, os números médios de ATR devem fechar em 136,6 quilos por tonelada, aumento de 0,1% em comparação com a safra 2019/2020. Já a totalidade de ATR resultaria em 79,8 milhões de toneladas, o que representa 0,6% de crescimento durante o novo período.

Balanceamento de produção

Ainda que a produtividade dos canaviais demonstre crescimento, o etanol — outro produto derivado da cana — deve recuar sua produção em 3,8%. As expectativas para o preço do petróleo e o crescimento do consumo de combustíveis de ciclo de Otto devem levar a produção para 29,4 milhões de metros cúbicos (m³) de etanol.

Durante a safra 2018/2019, o Brasil exportou mais de 18 mil toneladas de açúcar bruto, o que significava déficit de 22,1% em comparação a 2017. Os dados do Ministério da Economia apontavam para uma queda no preço do produto, o que resultou no valor de US$ 5,39 bilhões em exportações, indicando déficit de 40,4% em relação ao ano anterior.

Nos últimos meses de 2019, o mercado mundial de açúcar sofreu períodos turbulentos e viu a Bolsa de Nova York negociar em níveis abaixo do esperado. Analisando o cenário, o Brasil reduziu a produção de açúcar para controlar os preços e focou a produção do etanol. Durante a safra 2019/2020, o álcool representou 65,6% do mix nas usinas, passando a ser o subproduto mais valorizado no processamento da cana-de-açúcar; foram 32,79 bilhões de litros do combustível produzidos durante os últimos 12 meses, volume que ultrapassou em 7,29% as marcas do ciclo anterior.

Com o mercado de açúcar voltando ao seu equilíbrio, as usinas pretendem reduzir os índices de produção do combustível, investindo no subproduto da vez.

Moagem da cana-de-açúcar

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

Na safra 2020/2021, o açúcar deve voltar a ter alta no mercado. A Usina Lins, associada da Unica, estima que a moagem da nova colheita de cana-de-açúcar deva ultrapassar quatro milhões de toneladas, superando as 3,1 milhões de toneladas de 2019/2020. O aumento de 29% na moagem foi possível devido aos investimentos iniciados em 2018 pela indústria para expandir o canavial e elevar a qualidade dos equipamentos agrícolas. Durante a nova safra, a empresa espera produzir cinco mil toneladas de açúcar e 200 mil m³ de etanol.

Efeitos do coronavírus

A pandemia de covid-19 vem afetando o preço e as produções de diversas commodities no mundo, mas as expectativas para o comércio de cana-de-açúcar seguem positivas. O diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, afirmou em declaração para a imprensa que o setor está preparado para a crise e deve continuar operando para atender à demanda.

A Unica também resolveu firmar parceria com o Ministério da Saúde, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as secretarias estaduais de saúde para a produção de álcool em gel e solução de álcool 70. Os setores de cana-de-açúcar, de forma solidária, irão doar os produtos à base de álcool para atender às demandas para que os estabelecimentos de saúde tenham o necessário para manter os ambientes higienizados e longe dos perigos do novo coronavírus.

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Fonte: União Nacional da Bioenergia (UDOP) e União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).