Novos lockdowns da China devem prolongar a crise logística

16 de junho de 2022 4 mins. de leitura
China continua com plano de tolerância zero contra a covid-19 e consegue manter o número de mortes em baixa; os efeitos na economia, porém, devem se prolongar

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Desde o início da pandemia de covid-19, a China mantém uma política rígida no controle da doença. Além de rigorosos lockdowns, o país monitora as pessoas que testaram positivo e testa quem teve contato com elas.

A política de tolerância zero contra o coronavírus pode parecer extrema, mas garantiu que o país, que tem mais de 1,4 bilhão de habitantes, registrasse pouco mais de 5 mil mortes pelo vírus. Em comparação, o Brasil, com cerca de 210 milhões de pessoas e a falta de um bom plano de controle, marca trágicas 666 mil vidas perdidas.

Depois de um período de retomada das atividades, os novos casos de covid-19 e a chegada da variante ômicron levaram a China a decretar novos lockdowns e restrições em diversas cidades desde abril.

Duas das cidades mais importantes do país, Xangai e Pequim, ambas com mais de 20 milhões de habitantes, foram afetadas pelas medidas e, além delas, outras importantes cidades portuárias sofreram com os efeitos das medidas restritivas, o que pode levar ao agravamento da crise logística em todo o mundo e em problemas para os produtores rurais brasileiros.

Demora nos portos chineses devem impedir que o preço dos fretes dos conteineires se normalizem em 2022. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
A demora nos portos chineses deve impedir que o preço dos fretes dos contêineres se normalizem em 2022. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Preocupações para o transporte marítimo

Com as restrições e diminuição da mão de obra nos portos, a China vê a fila de embarcações esperando para descarregar e carregar aumentar rapidamente. No último mês, a fila de espera no porto de Xangai passou dos 30 navios da normalidade para cerca de 350 navios. O atraso diminui a oferta de contêineres no mundo e agrava o aumento de preços.

Antes da pandemia, o frete de um contêiner de 40 pés da China para o Brasil custava cerca de US$ 2 mil (R$ 9,6 mil). No auge da pandemia, o valor chegou a US$ 12 mil (R$ 58 mil) e, recentemente, baixou para valores entre US$ 7 mil e US$ 8 mil (R$ 34 mil e R$ 38 mil). Especialistas acreditavam que a normalização das rotas podia fazer os custos voltarem a valores próximos dos pré-pandêmicos ainda em 2022, porém as novas restrições frustraram essas expectativas.

A falta de contêineres gera um problema maior para o Brasil, visto que o País importa muito mais do que exporta da China. Assim, os contêineres que vêm lotados acabam voltando parcial ou totalmente vazios, o que não é interessante para quem realiza o frete. Com isso, as rotas entre países com um comércio bilateral mais amplo, como os dos Estados Unidos e os da Europa, tornam-se as preferidas, o que deixa os fretes para o Brasil ainda mais caros e mais demorados.

Fechamento de estradas próximas as cidades portuárias impede a entrega de cargas no prazo. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
O fechamento de estradas próximas às cidades portuárias impede a entrega das cargas no prazo. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

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Desabastecimento da indústria

Além do problema logístico dos contêineres e das embarcações, as restrições na China desabastecem uma série de indústrias que depende da produção do país asiático. Um dos exemplos mais marcantes é a falta que os semicondutores chineses fazem nas mais diversas indústrias do mundo, encarecendo até mesmo os carros brasileiros.

A imposição de restrições na China também pode afetar o preço internacional do petróleo. É esperado que o país aumente o volume de compras do petróleo russo para garantir o abastecimento, o que deve elevar ainda mais o preço do combustível que já está pressionado desde o início do conflito no leste europeu.

Com isso, a esperança dos produtores rurais brasileiros de que os custos de produção poderiam voltar à normalidade em 2022 fica um pouco mais distante. Os fretes, o petróleo e os insumos, aparentemente, não terão os valores reduzidos drasticamente tão cedo, o que deve manter o preço dos alimentos no Brasil em alta.

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Fonte: UDOP, Estadão, Summit Agro Estadão

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