Inflação dos alimentos aumenta o preço do prato feito

11 de junho de 2021 4 mins. de leitura
Arroz, feijão, carne, batata e salada tiveram aumento de preço com a inflação dos alimentos

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Uma pesquisa feita em 2020 pela Universidade de Oxford, com dados do Banco Mundial, mostrou que o Brasil foi o país onde os preços subiram mais rápido durante a pandemia do novo coronavírus. Com destaque para inflação entre os meses de maio e dezembro do ano passado. 

O aumento de preços atingiu diretamente os alimentos do famoso prato feito, que é composto de arroz, feijão, carne, batata, ovo e salada. Um exemplo disso é o preço do arroz, que, no começo de 2020, o pacote de 5 quilos custava R$ 15 e, em setembro do mesmo ano, o produto estava custando R$ 40. Assim, a inflação sobre o clássico prato feito reflete as dificuldades que a população mais vulnerável está passando durante a pandemia de covid-19. 

Em um levantamento feito em dezembro de 2020, segundo estimativas da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PenSSAN), desde o começo da pandemia, mais de 116 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar, ou seja, não têm garantia de alimento na mesa. 

Preço do prato feito sobe com a alta inflação dos alimentos. (Fonte: Shutterstock/Vanessa Volk/Reprodução)
Preço do prato feito sobe com a alta inflação dos alimentos. (Fonte: Shutterstock/Vanessa Volk/Reprodução)

Inflação do prato feito

Entre os alimentos presentes no tradicional prato, os que mais sofreram com o aumento foram o arroz e o feijão. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que o valor do arroz subiu 61%, enquanto o do feijão aumentou 69%, ambos durante o período de março de 2020 a março de 2021.

O início da colheita de arroz, que começou no final de março deste ano, deve balancear um pouco os valores do grão, mas a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o preço continuará inflacionado. 

A estimativa é de que o valor da saca de 50 quilos fique entre R$ 72 e R$ 82 ao longo de 2021. O valor está abaixo dos R$ 100 registrados na parte mais crítica da crise, mas bem acima dos R$ 50 da média antes da pandemia. 

Outro componente importante para a produção do prato feito é o óleo de soja, utilizado no preparo do arroz, da carne e das batatas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o produto está valendo quase o dobro do que no ano passado, com uma alta de 87,5% entre março de 2020 e março de 2021.

A carne também contribui para o aumento da tradicional refeição brasileira. Sendo por muito tempo a vilã principal, o alimento agora é coadjuvante na crise, mas continua com os preços altos. O preço da arroba do boi atingiu R$ 320 em abril deste ano, um aumento de 19,78% comparado com o fim de 2020. 

Nos mercados, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostra que o corte dianteiro de carne bovina atingiu uma alta de 28,2%, e o traseiro subiu 12% durante 2020.

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Razões para a inflação forte no Brasil

A principal causa do aumento do preço dos alimentos é a desvalorização do real, principalmente em relação ao dólar. Por conta disso, os produtos brasileiros ficaram mais baratos para o mercado externo, causando um foco na exportação e uma diminuição na venda interna. 

A situação do arroz é um exemplo disso. Entretanto, o preço do grão também é explicado pela crise hídrica de países como Tailândia e Vietnã, que estão com a produção prejudicada e enfrentam dificuldade para abastecer o mercado internacional, sobrecarregando o interesse no produto brasileiro. 

Crise hídrica na Tailândia e Vietnã aumenta preço do arroz no Brasil. (Fonte: Shutterstock/Fenilo Q/Reprodução)
Crise hídrica na Tailândia e Vietnã aumenta preço do arroz no Brasil. (Fonte: Shutterstock/Fenilo Q/Reprodução)

O preço do feijão subiu como consequência do aumento de consumo dos brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Feijão (Ibrafe), a busca pelo alimento aumentou, pelo menos, 10% durante a pandemia. No caso da carne, o aumento do valor é consequência da falta de animais para o abate e do foco dos produtores na exportação.  

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Fonte: Tribuna de Minas, Summit Estadão.

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