Inflação de 2022 vai superar teto da meta, segundo Boletim Focus

10 de março de 2022 4 mins. de leitura
O último Boletim Focus projeta a inflação de 2022 em 5,15% — superior ao teto de 5% da meta estabelecida pelo Banco Central

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A estimativa do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2022 foi elevada para 5,15%, de acordo com último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil (Bacen). A projeção do índice inflacionário está acima do teto da meta de 5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CNM).

Para 2023, o Boletim Focus projeta um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerando a inflação oficial, de 3,4%, e mantendo a estimativa anterior. A expectativa do mercado está acima do centro da meta do CNM, que é de 3%, mas se encontra dentro do limite considerado, de 4,5%.

Ainda de acordo com o relatório, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve registrar uma leve alta, de 0,3% em 2022, com relação ao ano anterior. Em 2023, o mercado projeta um crescimento de 1,5%. Já a taxa do Sistema Especial de Liquidação de Custódia (Selic), que é considerada a taxa de juros básica da economia e utilizada para controlar a inflação, deve ficar em 12,25% no final de 2022 e 8% no próximo ano.

Como foi a inflação em 2021?

O ano de 2021 teve a maior inflação dos últimos oito anos. (Fonte: Shutterstock)
O ano de 2021 teve a maior inflação dos últimos oito anos. (Fonte: Shutterstock)

A inflação medida pelo IPCA fechou 2021 com um índice de 10,06%, a maior taxa acumulada desde 2015. O índice inflacionário foi quase o dobro da meta estabelecida pelo CMN, que era de 5,25%.

O segmento de transportes foi o que teve a variação mais alta, alcançando 21,03% no acumulado do ano e contribuindo com 4,19 pontos percentuais para a inflação geral. Em seguida, vieram o setor de habitação, que teve alta de 13,05%, e de alimentação e bebidas, com variação de 7,94%.

Os alimentos que tiveram a maior elevação de preços foram o café moído (50,24%) e o açúcar refinado (47,87%). Contudo, essas altas são reflexos dos valores pagos pelo consumidor e não reflete, necessariamente, melhor remuneração aos produtores.

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Aumento de preço para os produtores agropecuários é diferente da inflação do consumidor. (Fonte: Shutterstock)
Aumento de preço para os produtores agropecuários é diferente da inflação do consumidor. (Fonte: Shutterstock)

A inflação vem acelerando no início de 2022. O IPCA do primeiro mês do ano foi de 0,54%, o maior índice para janeiro desde 2016, quando foi registrado 1,27%. A prévia inflacionária para fevereiro ficou ainda maior (0,99%), sendo considerada também a maior variação para o mês desde 2016. Naquele ano, a prévia do IPCA ficou em 1,42%.

Em fevereiro de 2022, a maior variação registrada foi no grupo de educação (5,64%). O setor de alimentação e bebidas teve a segunda maior alta, com inflação de 1,20%, um resultado superior a janeiro, quando foi registrada uma elevação de 0,97% nos preços. Produtos como tubérculos, raízes e legumes contribuíram para o acréscimo nos gastos no segmento.

Qual é o impacto da inflação no agronegócio?

A cadeia produtiva da agropecuária está exposta às variações de preço do mercado, assim como os consumidores brasileiros, mas é sentida de forma diferente pelos agricultores, pecuaristas e outros agentes envolvidos na atividade. Em 2021, a inflação do agronegócio ficou em, aproximadamente, 39%, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Isso acontece especialmente porque os custos de produção e as cotações de preços do setor produtivo têm, em menor ou maior grau, uma relação direta com as dinâmicas internacionais — no caso dos insumos agrícolas que são importados e dos preços de commodities exportadas, por exemplo soja e milho.

Os produtos agropecuários com preços em dólar, por exemplo, subiram 30% entre janeiro e setembro de 2019 e de 2021. Contudo, os preços dos produtos agropecuários no mercado interno subiram quase 90% no mesmo período, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

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Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Banco Central do Brasil, Agência IBGE de Notícias. 

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