Taxa Selic: como a alta de juros impacta o agronegócio?

5 de agosto de 2021 3 mins. de leitura
Entenda qual é a importância da alta da taxa Selic para o financiamento do setor agropecuário e como devem ficar os juros até o final do ano

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) decidiu elevar, pela quarta vez, a taxa Selic em 2021, que passou de 4,25% para 5,25% ao ano. O aumento de um ponto percentual foi o maior em 18 anos (desde 2003) e tem um impacto direto nas atividades da economia brasileira, inclusive no agronegócio.

A inflação no Brasil acima da meta e o surgimento da variante Delta, que coloca em risco a retomada econômica global, foram as justificativas para a elevação. Uma previsão de maior Produto Interno Bruto (PIB), a prorrogação do auxílio emergencial e a expectativa de criação de um novo Bolsa Família, de cerca de R$ 400, também foram levados em consideração.

O Copom ainda deu indicativos de que um novo aumento pode ser realizado na próxima reunião, em 45 dias, quando os juros podem saltar para 6,25% ao ano, dependendo do nível inflacionário e da evolução da atividade econômica. Até o final do ano, analistas do mercado projetam que a taxa Selic deve ficar de 7% a 8% ao ano.

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Impacto da alta da Selic no agronegócio

O BC indica que os juros devem ficar ainda mais caros até o final de 2021. (Fonte: Shutterstock/Diego Grandi/Reprodução)
O BC indica que os juros devem ficar ainda mais caros até o final de 2021. (Fonte: Shutterstock/Diego Grandi/Reprodução)

A elevação da taxa Selic tem um impacto direto no encarecimento do financiamento das atividades do agronegócio, especialmente para pequenos e médios produtores. Os juros do Plano Safra 2021/22 tiveram um aumento médio de um ponto percentual em relação ao ano anterior — o que já é reflexo dos aumentos anteriores da taxa básica.

As operações de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), por exemplo, que custavam de 2,75% a 4% ao ano na temporada 2020/21, agora são oferecidas com taxas anuais entre 3% e 4,5%.

A alta da Selic também deve restringir o crédito privado para a industrialização das atividades do agronegócio, avaliou o vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Renato Naegele, durante apresentação do Plano Safra 2021/22.

Câmbio mais estável

Câmbio estável favorece a importação de insumos agrícolas. (Fonte: Shutterstock/rafastockbr/Reprodução)
Câmbio estável favorece a importação de insumos agrícolas. (Fonte: Shutterstock/rafastockbr/Reprodução)

A alta da taxa Selic apresenta também outra influência indireta no setor agropecuário. Os juros mais altos devem atrair investimentos estrangeiros para os títulos de dívida pública do governo brasileiro e, com isso, a relação entre dólar e real deve ficar mais estável.

Um câmbio mais favorável à moeda brasileira torna os custos de insumos importados mais controlados e previsíveis ao mesmo tempo que ajuda a limitar novos reajustes de combustíveis, o que torna mais barato o transporte de alimentos. 

Fonte: Banco do Nordeste, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Banco Central.

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