Fertilizantes: o que aprender com 2021?

22 de março de 2022 4 mins. de leitura
Cenário geopolítico impôs dificuldades para a disponibilidade de fertilizantes no mercado global em 2021

Conheça o mais relevante evento sobre agronegócio do País

Os fertilizantes dobraram de preço ao longo de 2021 e elevaram os custos de produção no agronegócio, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Isso foi causado por problemas logísticos, políticos e energéticos que continuarão influenciando o mercado global de insumos em 2022.

Rússia e China, dois principais fornecedores de nutrientes para o Brasil, restringiram as exportações para garantir o controle de preços e a oferta doméstica dos fertilizantes. A crise energética chinesa e a escalada de preços do gás natural russo foram os motivos apontados para as restrições nas exportações.

Na Europa, a crise política na Bielorrússia, responsável por 25% da produção mundial de cloreto de potássio, fez a cotação do produto triplicar. Os Estados Unidos,  o Canadá e países da União Europeia impuseram sanções comerciais contra o governo bielorrusso, o que inclui a estatal Belaruskali, um dos principais produtores mundiais do insumo.

Fertilizantes pressionam margens de produção

Aumento de preço de fertilizantes compromete margens nas lavouras de grãos. (Fonte: Mari_lazaro/Pixabay/Reprodução)
Aumento de preço de fertilizantes compromete margens nas lavouras de grãos. (Fonte: Mari_lazaro/Pixabay/Reprodução)

Os recordes nas cotações de grãos não estão sendo suficientes para acompanhar o crescimento dos preços dos fertilizantes. A consultoria StoneX apontou que os custos de produção de soja e de milho no Mato Grosso subiram, respectivamente, mais de 48% e 32% no início de 2022. Na Região Sul, o aumento dos custos já superou os 50%.

No ano passado, o custo total médio de uma lavoura de soja saiu de R$ 4,26 mil por hectare em fevereiro para R$ 6,3 mil em novembro, conforme estimativa do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral). No mesmo período, o custo projetado com fertilizantes subiu 95%, e as margens da produção ficaram 42% menores.

Essa situação inverteu a tendência positiva nos níveis de relações de troca da soja e do milho com os insumos. No início de 2021, eram necessárias menos de dez sacas de soja para comprar 1 tonelada de cloreto de potássio; agora, a relação está acima de 25 sacas por tonelada, aponta a StoneX.

Leia também:

Ureia: fertilizante popular é aliado do produtor

Fertilizante: preço e prazo de entrega preocupam produtores

Crise no mercado de insumos pode comprometer safra 2022/2023

Plano Nacional de Fertilizantes

O Brasil importou um volume recorde de 41,6 milhões de toneladas de fertilizantes em 2021, segundo informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O Mato Grosso, principal produtor de grão do País, foi o estado que recebeu mais importação do insumo: 8 milhões de toneladas.

As importações de adubo cresceram mais de 50% desde 2017, acompanhando o aumento da produção agrícola brasileira. Cerca de 85% dos produtos consumidos no País são importados, o que gera preocupação ao agronegócio. Para superar essa fragilidade, o governo federal estuda lançar o Plano Nacional de Fertilizantes.

A política pública ainda está em elaboração e pretende implementar medidas para incentivar a produção nacional dos insumos e reduzir a dependência externa. A principal meta é diminuir a importação de adubos para 60% em 30 anos. O texto-base da proposta está em fase de ajustes para ser lançado ainda em 2022.

Expectativas para 2022

Embrapa desenvolve alternativa mais barata para aplicação de ureia na lavoura. (Fonte: Carlos Dias/Embrapa/Reprodução)
Embrapa desenvolve alternativa mais barata para aplicação de ureia na lavoura. (Fonte: Carlos Dias/Embrapa/Reprodução)

Os desafios do mercado global de fertilizantes devem continuar preocupando os agricultores brasileiros. Problemas de rupturas na cadeia de produção causados por questões geopolíticas, crise energética e gargalos logísticos devem continuar sendo recorrentes ao longo do ano, mas, apesar disso, não há risco de desabastecimento.

O custo de insumos agrícolas também foi atingido pelo aumento da alíquota de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS), que não era cobrado até o ano passado. A partir de janeiro de 2022, o tributo passou para 4% no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, na Bahia e em Sergipe. Nos outros estados, o imposto cobrado é de 1%.

Dessa forma, o agricultor deve buscar alternativas, como estratégias de manejo do solo, para garantir a nutrição da lavoura com custos reduzidos. A produção de adubo verde na propriedade também pode colaborar para controlar os gastos na produção.

Quer saber mais? Assista aqui à opinião e explicação dos nossos parceiros especialistas em agronegócio.

Fonte: StoneX, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Este conteúdo foi útil para você?

175480cookie-checkFertilizantes: o que aprender com 2021?

Canal Agro