Feijão: safra menor e baixa demanda seguram preço do grão

9 de julho de 2021 4 mins. de leitura
A terceira safra de feijão deverá ter uma queda de 5,3% frente à temporada 2019/20, estima Conab

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A produção total de feijão para a safra 2020/21 está estimada em 3,077 milhões de toneladas, uma redução de 4,5% em comparação com a temporada anterior, de acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado poderia impulsionar uma maior valorização do grão, entretanto os preços continuam estáveis devido à fraca demanda no atacado de São Paulo, principal mercado do produto.

O primeiro ciclo da safra está com a colheita encerrada e a produção alcançada foi de 1,011 milhão de toneladas, somando os feijões-comuns do tipo cores, preto e caupi. O resultado representa uma redução de 8,5% em relação ao volume obtido em 2019/20. A queda de produção está relacionada às oscilações climáticas registradas ao longo do ciclo na Região Sul e na Bahia.

No momento, as lavouras de segunda safra estão em colheita. A estimativa é produzir 1,239 milhão de toneladas do grão, um volume próximo ao verificado em 2019/20. A semeadura do terceiro ciclo já foi iniciada, com uma estimativa de produção de 826 mil toneladas, um volume 5,3% menor ao registrado no ano passado.

Demanda por feijão

Cerca de 80% das lavouras do segundo ciclo de feijão do Paraná já foram colhidas. (Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná/Gilson Abreu/Reprodução)
Cerca de 80% das lavouras do segundo ciclo de feijão do Paraná já foram colhidas. (Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná/Gilson Abreu/Reprodução)

Apesar da redução na safra, a Conab avalia que a oferta de feijão continua sobrepondo as necessidades da demanda. A baixa procura do grão no mercado atacadista paulista está relacionado a falta de mercadoria de boa qualidade, uma vez que a maioria do produto ofertado tem origem no Paraná, estado que tem sido prejudicado pelo clima adverso.

Os paranaenses são os principais produtores nacionais de feijão. Porém, desde janeiro, as lavouras do estado vêm enfrentando irregularidades climáticas, o que tem impactado na produtividade da cultura. O Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) avalia que 49% das lavouras que ainda serão colhidas apresentam condições ruins, 34% médias e 17% boas.

Com a redução do auxílio emergencial, a produção ajustada e preços em patamares elevados, a Conab avalia que a tendência é que o consumo interno retorne ao mesmo patamar de 2018/2019, estimado em 3,05 milhões de toneladas, o que significa um relativo equilíbrio entre a oferta e a demanda do grão nesta safra.

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Perspectiva de preços

O preço da saca de 60 quilos deve continuar no patamar atual, por conta do equilíbrio entre produção e demanda nacional pelo grão. (Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná/Reprodução)
O preço da saca de 60 quilos deve continuar no patamar atual, por conta do equilíbrio entre produção e demanda nacional pelo grão. (Fonte: Agência Estadual de Notícias do Paraná/Reprodução)

O preço da saca de 60 kg do feijão-comum cores pago ao produtor em São Paulo está no patamar de R$ 300. Com isso, parte dos compradores estão pressionando por preços abaixo de R$ 280, no entanto a medida não está surtindo efeito, em parte devido ao pouco volume ofertado, segundo a avaliação da Conab.

A escassez da mercadoria extra, a possibilidade de o produtor reter em estoque uma parcela da produção e, ainda, as incertezas quanto ao fator clima devem manter o mercado em alerta, diminuindo a expectativa de que era de recuo nos preços, com a entrada mais expressiva do produto colhido na segunda safra.

Com isso, os preços devem continuar atrativos, contudo não há espaço para maiores elevações devido às dificuldades que as indústrias de empacotamento e os varejistas vão encontrar para repassar os valores aos consumidores.

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Fonte: Sociedade Brasileira do Agronegócio (SBA), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Agência Estadual de Notícias do Paraná (AEN).

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