Feijão e arroz: Como fica o preço dos alimentos na safra 21/22?

27 de setembro de 2021 4 mins. de leitura
Nos últimos 12 meses, o feijão teve alta de 17% e o arroz de 30%, impulsionando a inflação

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O preço do feijão-carioca teve um aumento de 17,3% nos últimos 12 meses, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV). No caso do arroz, a alta foi ainda maior no período e chegou a 30%. Itens básicos da mesa do brasileiro, os dois alimentos têm um peso relevante na inflação do País, que está por volta de 8% ao ano.

Segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é provável que o preço do arroz se mantenha com uma certa estabilidade, com um leve viés de baixa, na safra 21/22. No cenário neutro, o preço do saco de 50 kg do grão no Rio Grande do Sul deve sair de R$ 74,89 em agosto de 2021 para R$ 73,41 em junho de 2022.

Já no caso do feijão, a expectativa é de alta para a próxima safra. A Conab estima que o saco de 60 kg da variedade de cores pago ao produtor em Goiás sairá de R$ 265,44 em agosto deste ano para R$ 364,88 no final do segundo semestre do ano que vem. O preço médio durante as três fases da temporada é estimado pela Conab em R$ 310,13.

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Aumento de produtividade impulsiona volume de feijão na safra 21/22. (Fonte: Shutterstock/gowithstock/Reprodução)
Aumento de produtividade impulsiona volume de feijão na safra 21/22. (Fonte: Shutterstock/gowithstock/Reprodução)

A Conab estima que a produção total dos três plantios de feijão da temporada 21/22 será de 3,2 milhões de toneladas, um resultado 5,65% maior em relação à safra 20/21. Apesar disso, o órgão prevê uma estabilidade na área total das lavouras, que ficará um pouco abaixo dos 3 milhões de hectares. Dessa forma, a elevação do volume produzido virá totalmente da melhoria de produtividade, que alcançará 1.081 kg/ha.

Pelo quarto ano consecutivo, a produção brasileira de feijão está bem ajustada à demanda, o que permite uma boa rentabilidade ao produtor, segundo avaliação da Conab. As adversidades climáticas, a redução de área provocada pelo preço mais atrativo da soja e do milho, além do baixo estoque de passagem e dólar valorizado são fatores que contribuem para sustentar a valorização do grão.

O cenário para a próxima safra de feijão pode ser alterado pela crise hídrica, em especial da terceira safra, que depende da irrigação. Além disso, a crise econômica e a inflação de alimentos podem reduzir o consumo do produto. Em contraposição, um eventual aumento do Bolsa Família por conta da eleição pode ter um efeito contrário.

Como fica o preço do arroz?

Importação do Mercosul deve ajudar no equilíbrio da cotação do arroz. (Fonte: Shutterstock/SURAKIT SAWANGCHIT/Reprodução)
Importação do Mercosul deve ajudar no equilíbrio da cotação do arroz. (Fonte: Shutterstock/SURAKIT SAWANGCHIT/Reprodução)

A produção estimada pela Conab para o arroz é de 11,8 milhões de toneladas na safra 21/22, um leve aumento de 0,4% em relação ao volume da temporada anterior. Esse equilíbrio é causado pelo aumento da área de 1,4% e uma redução de produtividade em 0,9%. 

Na safra 20/21, a produtividade no Rio Grande do Sul, que responde por 70% da produção nacional, foi “de certa forma surpreendente, fruto do reflexo clima que favoreceu as lavouras gaúchas”, segundo o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz), Alexandre Velho. 

Para este ano, deverá haver uma estabilidade de preços, decorrente do balanço entre fatores de alta — como capitalização dos produtores, elevação dos custos de produção e incremento do consumo — e de baixa, como concorrência do arroz do Mercosul, aumento do volume produzido nacionalmente, queda dos preços internacionais e menor demanda internacional pelo grão brasileiro.

Fonte: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

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