Como o mercado de grãos impacta o preço dos laticínios?

2 de março de 2021 4 mins. de leitura
Aumento do preço de grãos, como milho e soja, impactam diretamente o valor final do leite e derivados

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Depois de 2020 com valor em alta, o preço do leite pago aos produtores começou a cair. 

Em fevereiro de 2021, a média nacional recuou 4,3%, chegando a R$ 2,03/litro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Apesar da diminuição, o valor foi pequeno frente à alta ocorrida no segundo semestre do ano passado. Assim, o preço atual da média no Brasil é quase 50% maior do que o período de janeiro de 2020. 

Para o produtor, a capacidade de gerir custos e obter melhores margens com a atividade foi colocada à prova no decorrer de 2020. Isso porque o principal fator para a alta do preço foi a influência do valor das matérias-primas que tiveram significativas altas ao longo do ano.

A soja, por exemplo, valorizou 74,5%, e o milho teve elevação de 47,5%. Além desses aumentos, os valores também alteraram conforme o local, sendo Santa Catarina (59,08%) e Minas Gerais (55,53%) os estados com a maior alta de custos concentrada para a produção de leite. 

A soja teve um aumento de quase 75%, impactando os custos na produção de leite (Fonte: Freepik /jcomp/ Reprodução)
A soja teve um aumento de quase 75%, impactando os custos na produção de leite. (Fonte: Freepik /jcomp/ Reprodução)

Qual é a relação da alta dos preços dos grãos com o valor do leite?

Quando analisamos a relação entre produção de leite e matéria-prima, é possível perceber como o poder de compra do produto está atrelado ao preço dos cereais, como milho e farelo de soja, que são utilizados para alimentação dos rebanhos.

Essa variação impacta, principalmente, os sistemas intensivos em ração, que são mais produtivos, porém mais dependentes de uma alimentação baseada em grãos. O aumento acumulado de alimentação de rebanho em 2020 foi de 44,13%. Além disso, o valor da suplementação mineral também aumentou 13,24%.

A consequência é que os custos de produção ficaram mais altos conforme o aumento dos cereais. Nesse caso, os pequenos produtores, que não são tão dependentes da ração e não têm uma produção tão alta, ainda conseguiram manter os preços. 

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O setor leiteiro está inseguro devido aos altos preços dos cereais e pouca ajuda do governo para limitar importações. (Fonte: Freepik /jcomp/ Reprodução)
O setor leiteiro está inseguro devido aos altos preços dos cereais e à pouca ajuda do governo para limitar importações. (Fonte: Freepik /jcomp/ Reprodução)

Qual é a expectativa do setor de laticínios? 

Para o setor leiteiro, a situação não é favorável. Assim, a Câmara Setorial do leite e derivados pediu à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para que o governo brasileiro suspendesse as importações de lácteos do Uruguai e da Argentina. Segundo o setor, sem ajuda do governo a produção de leite no Brasil é inviável.

Isso porque a competitividade do leite frente ao mercado externo está prejudicada. Ainda que os preços internacionais de referência do leite em pó estejam altos, a matéria-prima brasileira está custando USD 0,40/litro, enquanto os valores da Argentina e do Uruguai estão próximos de USD 0,30/litro.

Para um aumento da oferta e maior competitividade nos preços, é necessário que sistemas menos intensivos troquem as pastagens pelas rações, a fim de aumentar a produtividade. Sem essa mudança, a sazonalidade continuará fazendo a produção do leite cair no início do ano, com a maior baixa entre maio e junho, devido ao período de seca. Porém, com a alta dos grãos, os pequenos produtores não conseguem aderir ao sistema de alta produção.

Além desses fatores, há outro motivo que está impactando o custo de produção do leite. As quedas dos preços dos derivados no atacado têm acontecido também pela ausência do auxílio emergencial, que dificulta a sustentação do consumo por grande parte da população. Em outras palavras, enquanto a pandemia durar, o mercado ficará inseguro quanto à retomada do setor. 

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Fonte: Relatório Itaú BBA, CNA Brasil.

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