Preço do leite bate recorde histórico, mas momento exige cautela

11 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Produtores que mantiveram o planejamento estão colhendo bons frutos com a alta do leite, mas o cenário futuro ainda é incerto por conta da pandemia

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A pandemia de coronavírus mexeu com o mercado do leite em 2020, e o cenário continua cheio de incertezas. Em um primeiro momento, houve uma diminuição do consumo de derivados lácteos, fruto do isolamento social e do fechamento de bares e restaurantes.

Diante disso, alguns produtores decidiram reduzir a sua produção e, a partir de maio, passaram a descartar animais de baixa produção tendo em vistas os bons preços pagos pela arroba do boi ou, ainda, reestruturar seus sistemas produtivos para reduzir custos.

Outros produtores mantiveram seus planejamentos e foram recompensados pelo otimismo. Depois do susto inicial, e com a retomada gradual das atividades, a demanda voltou a ficar aquecida em um cenário de redução na produção. 

Com isso, o preço médio do leite pago ao produtor subiu 56,4% de janeiro a setembro, chegando ao preço de R$ 2,13/litro, um recorde real da série realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Nos supermercados, o preço atinge a média de R$ 3,70/litro.

Alta dos custos de produção do leite

Alta do dólar provocou subida de preços de milho e farelo de soja, o que aumentou custos de produção do leite. (Fonte: Shutterstock)
Alta do dólar provocou subida de preços de milho e farelo de soja, o que aumentou custos de produção do leite. (Fonte: Shutterstock)

Na outra ponta do movimento, também foi registrada uma alta nos custos de produção do leite, de acordo com dados do Projeto Campo Futuro (CNA/Senar). O Custo Operacional Efetivo (COE) acumulou alta de 12% em agosto de 2020, quando comparado ao mesmo mês do ano passado, tendo-se como base a “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP).

Leia também: Alta do leite reflete custo de produção

A alta generalizada dos grãos, em especial do milho e do farelo de soja utilizados na ração do gado, foram os propulsores dos aumentos dos custos da produção leiteira. Esses insumos tiveram alta acumulada de 13,4% no ano, por conta da forte valorização do dólar frente ao real. O pecuarista deve ficar atento, pois o custo com esses grãos representa até 30% da receita anual de uma propriedade de bom desempenho produtivo.

Com a alta dos insumos, diminuiu o poder de troca do produtor de leite frente a dois dos principais insumos utilizados pela atividade. Entre janeiro e agosto de 2020, um litro de leite equivalia, em média, 1,97 quilo de milho, enquanto que, no mesmo período do ano passado, era possível adquirir 2,53 quilos. No caso do farelo de soja, um litro de leite comprava 0,99 quilo do derivado contra 1,22 quilo de janeiro a agosto de 2019.

Momento de cautela

Melhoria da eficiência na produção é o caminho para sustentabilidade do setor lácteo. (Fonte: Shutterstock)
Melhoria da eficiência na produção é o caminho para sustentabilidade do setor lácteo. (Fonte: Shutterstock)

A elevação dos preços não resultou no aumento das margens da atividade, e o produtor deve monitorar o mercado com cautela, focando na melhoria da eficiência da produção. A redução dos valores pagos no auxílio emergencial pode retrair a demanda pelo leite. 

Além disso, o mercado futuro sinaliza que os preços de soja e milho devem continuar firmes até o final de 2020 e início do próximo ano. Entretanto, os preços do leite tendem a recuar devido à sazonalidade das chuvas e a melhoria das pastagens nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país, responsáveis por 45,8% da produção nacional.

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Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).