Como fazer a transformação digital no campo?

15 de junho de 2022 4 mins. de leitura
A transformação digital nas propriedades rurais permite o monitoramento de uma ampla gama de variáveis relativas à produção agropecuária

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A transformação digital no campo é o próximo salto evolutivo da atividade agropecuária. “Temos informações em tempo real sendo geradas durante todo o período da lavoura e uma plataforma que organiza os dados”, explica Kenneth Corrêa, presidente regional da Associação Brasileira de Agentes Digitais (ABRADi) em Mato Grosso do Sul (MS).

Corrêa afirma que “Com novos métodos de plantio, transgênicos e agricultura de precisão aplicados ao longo dos últimos 30 anos, a produtividade no campo aumentou quase 40%”. No entanto, ainda há muito espaço para avançar com a digitalização do agronegócio. O uso abrangente de sensores deve revolucionar a produção agropecuária.

A abundância de dados acumulados em plataformas permite fazer correlações que antes eram impossíveis. “O produtor sai de um controle e vai para um monitoramento, que é algo bem mais ativo”, comenta o especialista. Com a tecnologia, é possível entender os fatores que influenciam a produtividade e até fazer previsões para a lavoura.

Como começar a transformação digital no campo?

Produtores podem testar novas ferramentas em parte da produção. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

O produtor rural deve procurar se aproximar das novas tecnologias ao participar de congressos e seminários que abordem a agricultura digital. “São eventos em que startups chegam com novas soluções, é uma forma de estar superconectado ao que está acontecendo”, afirma o presidente regional da ABRADi.

Outro caminho é contratar uma assessoria técnica atualizada. “Esse é um mercado que está mudando demais, não dá para simplesmente usar os conhecimentos de 1990 em 2022”, ele alerta. É importante verificar se o profissional está acompanhando eventos nacionais e internacionais e publicações científicas do setor.

“O ponto principal é a experimentação”, ressalta Corrêa, indicando que uma área pequena pode ser separada para fazer testes de novas ferramentas. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realiza pesquisas em propriedades, o que pode dar uma noção mais assertiva dos possíveis resultados com a implementação de uma tecnologia.

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Aplicações práticas na agropecuária

As condições da lavoura podem ser acompanhadas em tempo real com as novas tecnologias. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

“A transformação digital no campo permite uma análise mais acurada dos dados para tomadas de decisão”, comenta Anderson Rodrigues, fundador da Vida Veg, startup de produtos à base de plantas. Tudo o que é mensurável pode ser transformado em planos de ação para reduzir custos e orientar produtores.

O proprietário da fazenda pode estruturar melhor o planejamento, tendo mais previsibilidade nos resultados em toda a cadeia produtiva. “Podemos estruturar a malha logística para otimizar os tempos de carga e descarga e controlar as condições de armazenamento para evitar perdas”, exemplifica Rodrigues.

Os treinamentos a distância podem levar ao campo conhecimento para uma base muito maior de pessoas, melhorando as práticas de produção. Além disso, “os técnicos terão maior visibilidade dos cenários e poderão aplicar as melhores práticas para aumentar a produção e reduzir o impacto socioambiental”, explica o empresário.

Desafios a serem superados para a transformação digital

A digitalização no campo ainda deve superar alguns obstáculos, e os desafios de infraestrutura são os mais visíveis. “Toda essa tecnologia precisa de uma rede sólida de internet para manter tudo conectado e com velocidade”, lembra Rodrigues. A implementação da tecnologia 5G, prevista para os próximos anos, pode ajudar a suprimir essa barreira.

A transformação digital deverá provocar mudanças em várias profissões, que precisarão discutir seus papéis a partir de uma nova base de conhecimento, e novos cursos profissionalizantes deverão surgir para dar suporte às novas ferramentas. “Essa é uma excelente oportunidade para estruturar novos cursos e levar ao campo empregos com melhores rendas”, finaliza Rodrigues.

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Fonte: Kenneth Corrêa, presidente regional da Associação Brasileira de Agentes Digitais (Abradi) no Mato Grosso do Sul (MS)

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