Brasil exporta pêssegos para o Hemisfério Norte

22 de abril de 2021 4 mins. de leitura
A produção brasileira de pêssego se aproveita da entressafra em países da América do Norte e da Europa para ganhar mercado internacional

Comércio exterior

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O pêssego é natural de regiões de clima temperado, mas novas técnicas e melhorias genéticas estão permitindo o cultivo de pomares com sucesso em microclimas favoráveis e até em regiões mais quentes. A produção brasileira tem ganhado relevância no cenário mundial e está alcançando mercados do Hemisfério Norte há duas safras.

O volume exportado ainda é pequeno, mas abre caminho para um enorme potencial, especialmente para variedades desenvolvidas no território brasileiro. Em 2020, foram embarcadas apenas 60 toneladas da fruta à França e ao Canadá, enquanto a produção nacional alcançou 183 mil toneladas em 2019, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O pêssego in natura é extremamente perecível, portanto a principal oportunidade para a fruta brasileira no mercado internacional é de outubro a janeiro, quando acontece a entressafra de países da Europa e da América do Norte. O embarque da fruta é possível porque a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu duas variedades com maior resistência no transporte.

Produção de pêssego no Brasil

O Rio Grande do Sul concentra mais da metade dos pessegueiros do Brasil. (Fonte: Shutterstock/Vectorcarrot/Reprodução)
O Rio Grande do Sul concentra mais da metade dos pessegueiros do Brasil. (Fonte: Shutterstock/Vectorcarrot/Reprodução)

Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentram as melhores condições para o desenvolvimento dos pessegueiros brasileiros. Apesar disso, São Paulo é o segundo estado com maior produção da fruta, respondendo por cerca de 17% do total produzido no País, atrás apenas dos gaúchos, que são responsáveis por 60% dos pêssegos nacionais. A cultura é desenvolvida também no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

As principais variedades produzidas em solo nacional são a Douradão, BRS Kampai, Chiripá e Chimarrita. De dois a quatro anos após o plantio, é possível colher as primeiras safras. Considerada uma atividade de alto risco, o cultivo de pêssego pode oferecer anos de alta rentabilidade e períodos de prejuízos significativos. Em 2020, por exemplo, os pomares gaúchos tiveram uma redução de produtividade ocasionada pelas geadas em agosto e pela falta de chuva na primavera.

A principal dificuldade do setor é concorrer com a fruta importada, vinda principalmente da Espanha, com cerca de 70% do total, e do Chile, que responde aproximadamente por 20% das importações brasileiras de pêssego.

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Variedades desenvolvidas pela Embrapa

A propriedade em Jarinu-SP é a responsável pela exportação de pêssegos brasileiros. (Fonte: Irmãos Parise/Rodrigo Parise/Reprodução)
A propriedade em Jarinu-SP é a responsável pela exportação de pêssegos brasileiros. (Fonte: Irmãos Parise/Rodrigo Parise/Reprodução)

Há mais de uma década, a Embrapa trabalha em pesquisas para desenvolver pêssegos com melhoria de firmeza na polpa. As variedades BRS Kampai e BRS Fascínio se destacam na exportação, pois conseguem aguentar cerca de 12 horas de transporte aéreo sem danos, além de apresentarem boa cor, sabor e maciez.

A BRS Fascínio tem como principais características a baixa acidez e uma produtividade que pode chegar a até 90 quilos por planta. A variedade é mais tardia e recomendada para consumo in natura, já que atende à preferência dos consumidores brasileiros por frutas grandes, de polpa branca e doce.

A BRS Kampai apresenta bom sabor dos frutos, mesmo com maturação precoce e baixos teores de açúcar. Com uma baixa exigência de frio, o cultivo de produção dessa variedade é possível do Rio Grande do Sul até a Região Sudeste.

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Fonte: Ministério da Economia. 

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