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Preços agropecuários apresentam alta no primeiro trimestre de 2020

IPPA/Cepea sobe 13% em relação ao ano anterior e sinaliza alta maior que a esperada para os preços de grãos e produtos pecuários

Preços agropecuários apresentam alta no primeiro trimestre de 2020
23/05/2020 • 2 min. de leitura

Os preços agropecuários tiveram um aumento geral de 3,9% nos primeiros três meses de 2020 em relação ao trimestre anterior, segundo relatórios divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo. Na comparação com o mesmo período de 2019, a diferença é ainda maior: o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (Ippa) apresentou um crescimento de 13,1%.

Segundo a análise do centro de estudos, os resultados do primeiro trimestre dão continuidade a uma tendência de aumento nos preços que já vinha sendo percebida desde o segundo semestre de 2019.

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Esse movimento foi impulsionado, principalmente, pela alta nos índices da pecuária e dos grãos — que apresentaram variação positiva de 16,4% e de 12,3%, respectivamente, no primeiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior. Os aumentos nesses setores ficaram no limite dos níveis normalmente previstos pelo Centro de Estudos para o período.

De maneira geral, o movimento de alta nesses setores pode ser explicado por um conjunto de fatores que envolve a alta do dólar e o aumento da demanda, sem que houvesse um aumento proporcional da oferta.

Alta do dólar e aumento da demanda impulsionam preços

Analisando cada setor individualmente, o Cepea aponta que a alta de 16,4% nos índices da pecuária para o primeiro trimestre pode ser atribuída à arroba do boi gordo e aos ovos. A demanda internacional pela proteína esteve alta nos primeiros meses do ano, sem que a oferta crescesse no mesmo compasso, pressionando os preços para cima. Com os ovos, situação semelhante começou a ser observada a partir de fevereiro, principalmente depois que os brasileiros começaram a estocar alimentos por conta da pandemia de covid-19.

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A demanda consistentemente alta também pressionou os preços de grãos, como a soja e o milho, no primeiro trimestre de 2020. De acordo com o Cepea, o esperado para esse período é justamente o contrário: uma queda nos preços por conta da maior oferta de grãos. Contudo, a desvalorização do real impulsionou a demanda internacional pelos produtos, e a disputa de compradores domésticos e externos elevou as cotações.

Além disso, outros fatores diminuíram a oferta dos grãos, configurando mais um impulso para o aumento dos preços. No caso da soja, foi a limitação da movimentação em portos da Argentina e a menor produtividade da commodity nesse país. Para o milho, a safra 2020 já começou com estoques reduzidos por conta das vendas recordes nos ciclos anteriores.

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Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA).