Vacas com tecnologia acoplada ajudam a preservar florestas

20 de julho de 2022 4 mins. de leitura
As vacas são conduzidas por tecnologia para eliminar plantas daninhas e abrir espaço para espécies nativas

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As vacas estão sendo utilizadas para preservar florestas na Escócia. Uma tecnologia adotada pelo Forestry and Land Scotland (FLS) permite orientar os animais em ações como quebrar as raízes de plantas invasoras, por exemplo as samambaias; aparar a grama; permitir a germinação de sementes do carvalho, uma importante árvore nativa do país.

Um experimento está sendo conduzido com cem cabeças na região de Gleentrool. “Se esse teste for bem-sucedido, nos permitirá considerar uma ampla gama de pastagens de conservação em nossas propriedades”, afirma a engenheira florestal Kim Kirkbride, da FLS. A tecnologia permite utilizar o gado em áreas abertas, onde não é possível construir cercas.

A experiência tem aumentado o avistamento de aves, invertebrados e outros animais, além de reduzir os riscos de incêndio. O pastoreio de conservação com gados está sendo usado em outras regiões escocesas e já melhorou o hábitat para borboletas raras, além de proporcionar uma vegetação mais diversificada para os galos silvestres.

Como funciona a tecnologia?

(Fonte: David Tipling/FLS/Divulgação)
Ao chegar no limite, os animais são alertados com aviso sonoro e impulso elétrico. (Fonte: David Tipling/FLS/Reprodução)

As vacas são soltas em áreas de preservação, utilizando um colar com sistema de posicionamento global (GPS) semelhante a um chocalho, que limita o deslocamento apenas a lugares predeterminados por engenheiros florestais e pecuaristas, em um mapa digital desenhado a partir de um aplicativo.

Quando o gado se aproxima da “cerca virtual”, o equipamento emite um sinal sonoro para estimular o animal mudar a sua rota. Caso isso não aconteça, um leve choque com voltagem menor do que uma cerca elétrica é disparado, sem interferir na saúde do animal.

“A vaca aprende a associar o aumento do tom do som com a perspectiva de receber um pulso elétrico”, disse Synne Foss Budal, gerente-geral da Nofence UK ao The Guardian. Com o tempo, até aprendem a mudar a direção quando o sinal sonoro fica mais forte. O sistema também permite rastrear o rebanho.

Ao pastar, o gado tende a se alimentar dos vegetais mais robustos, favorecendo o desenvolvimento das plantas e flores mais finas, segundo o FLS. Além disso, eles absorvem nutrientes como o nitrogênio e o fósforo, impedindo o crescimento de espécies mais agressivas e dando chance para as plantas raras que prosperam em condições de baixo teor de nutrientes.

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Outros benefícios da cerca virtual

Solução de cerca virtual já é oferecida por empresas brasileiras. (Fonte: Prodap/Divulgação)
Solução de cerca virtual já é oferecida por empresas brasileiras. (Fonte: Prodap/Reprodução)

Os equipamentos de cerca virtual utilizados na Escócia são fornecidos pela Nofence, uma empresa norueguesa considerada pioneira mundial nessa tecnologia. Mais de 35 mil animais usam o dispositivo, em 2,6 mil clientes espalhados pelo mundo, segundo a companhia.

Além de ser uma solução mais econômica do que a cerca tradicional, o dispositivo pode elevar a produtividade da pecuária quando integrada com outras ferramentas, como sistema de altura de pastagens, leitura das fezes, fechamento de consumo, gestão financeira e identificação precoce de doenças.

O instrumento funciona perfeitamente em propriedades com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), em que o custo com a demarcação de áreas pode ser maior, uma vez que permite a reorganização do espaço de forma simples e rápida.

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Fonte: The Guardian, Nofence, Prodap, Forestry and land Scotland (FLS)

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