Ovos: quais são as perspectivas para o setor em 2021?

1 de março de 2021 3 mins. de leitura
No Brasil, consumo e preço de ovos de galinha têm aumentado de forma consistente nos últimos anos, entretanto alta dos grãos pode prejudicar ganhos do setor

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As perspectivas para o setor de ovos em 2021 são boas, com expectativa de continuidade do aumento da produção, crescimento do consumo e, ao mesmo tempo, elevação de preços. Contudo, o avicultor precisa observar de perto a evolução do custo da ração, que tem sido puxado pela alta do milho e do farelo de soja no mercado internacional.

O preço médio do ovo no atacado paulista em janeiro de 2021 registrou uma alta de 21,5% em comparação ao mesmo mês de 2019, mas isso não tem compensado a escalada dos gastos com insumos. A relação de troca ovo/ração para postura é a pior da série histórica iniciada em 2006 e ultrapassou pela primeira vez a marca de 4,5 ovos por kg de ração.

Dessa forma, qualquer acomodação no valor da proteína pode tornar insustentável a produção. Mas isso não deve acontecer nos próximos três meses, que apresentam um pico de demanda em abril por conta do maior consumo da quaresma.

Alta da produção e do consumo de ovos

Caixa de 30 dúzias foi cotada a R$ 110,80 em média no atacado paulista em janeiro de 2021. (Fonte: Shutterstock/Lin Xiu Xiu/Reprodução)
Caixa de 30 dúzias foi cotada a R$ 110,80 em média no atacado paulista em janeiro de 2021. (Fonte: Shutterstock/Lin Xiu Xiu/Reprodução)

Desde 2013, a produção brasileira de ovos de galinha vem se expandindo de forma consistente, chegando a alcançar uma taxa anual de crescimento de 8,7%, de acordo com informações da Diretoria de Agronegócio do Itaú BBA. Para 2021, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que a produção passe para 56,2 bilhões de unidades, um aumento de 5% em comparação a 2020.

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O movimento é acompanhado pelo aumento do consumo per capita, que passou de 168 unidades em 2013 para 230 unidades em 2019. A perspectiva deve continuar em 2021, especialmente pela tendência de redução do poder de compra do consumidor que, ao ver a elevação do valor da carne bovina, pode substituir o produto por ovos. O brasileiro deve consumir 265 unidades neste ano, o que representa uma elevação de 6% frente ao ano passado, segundo a ABPA.

Perspectivas para a ração

Aumento do preço de ração animal pode reduzir ganhos no setor de ovos. (Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro/Reprodução)
Aumento do preço de ração animal pode reduzir ganhos no setor de ovos. (Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro/Reprodução)

Entretanto, os avicultores devem se preocupar com os custos de produção, que prometem ser um grande entrave para o setor em 2021. O milho e o farelo de soja devem continuar com os estoques baixos e as demandas aquecidas, tanto interna quanto externamente, pressionando os preços desses produtos para cima.

A forte procura chinesa em conjunto com problemas na safra por questões climáticas pode manter o balanço mundial da soja apertado, mesmo com a esperada produção recorde no Brasil. No caso do milho, a incerteza quanto à produtividade das lavouras e o bom ritmo de exportações pode impulsionar as cotações.

Mas a situação não preocupa somente a cadeira produtiva do ovo. Segundo o Itaú BBA, o alto custo das rações tem afetado todas as proteínas animais, como aves de corte, suínos, bovinos confinados, piscicultura e alguns sistemas de pecuária leiteira.

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Fonte: Radar Agro Itaú BBA, AviNews Brasil.

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