China: como a recuperação da suinocultura chinesa afeta o agronegócio no Brasil

11 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
A peste suína africana atingiu duramente a produção de carne suína na China, mas agora o setor se recupera e produtores brasileiros de grãos podem se beneficiar

A chegada da peste suína africana na China alterou profundamente as dinâmicas dos mercados globais de grãos e carnes, inclusive para o agronegócio brasileiro. Até 2018, o mercado chinês era responsável por quase metade da produção de carne suína do mundo, mas teve de diminuir seu plantel por conta da enfermidade.

O Summit Agro será online e gratuito. Inscreva-se agora.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os abates de porcos foram reduzidos em 238,8 milhões, um número que representa mais de cinco vezes o abate anual brasileiro. As importações chinesas de proteína suína subiram, mas não foram suficientes para cobrir o déficit do Brasil. Com isso, a compra chinesa de carnes bovina e de frango também aumentou.

Exportações de carne brasileira subiram nos últimos anos influenciados pela queda de produção de proteína suína pela China. (Fonte: Shutterstock)
Exportações de carne brasileira subiram nos últimos anos influenciados pela queda de produção de proteína suína pela China. (Fonte: Shutterstock)

Nesse contexto, o Brasil viu suas exportações de carne suína crescerem 19% em 2019 e devem fechar 2020 com a marca histórica de 1,2 milhão de toneladas, com um crescimento de 39% em comparação ao ano anterior.

Os embarques de carne bovina subiram 14% no ano passado e devem crescer mais 10% em 2020, com 2,6 milhões de toneladas vendidas. O setor de frango teve crescimento geral de 3,7% em 2019, mas quando considerado apenas as vendas para a China, teve um aumento de 30% acumulado de janeiro a setembro de 2020.

Recuperação do setor suíno na China

Plantel de porcos na China está se recuperando mais rápido do que o esperado e deve pressionar demanda de soja e milho. (Fonte: Shutterstock)
Plantel de porcos na China está se recuperando mais rápido do que o esperado e deve pressionar demanda de soja e milho. (Fonte: Shutterstock)

A China começa a dar sinais de recomposição do plantel de porcos no país com uma velocidade mais rápida do que o esperado há 1 ano. A recuperação da produção em associação com o crescimento esperado de outras proteínas animais indica uma necessidade complementar de soja e milho para o mercado chinês.

Isso deverá provocar uma grande pressão no aumento da oferta global desses grãos. De acordo com análise da Diretoria do Agronegócio do Itaú BBA, devem ser necessárias 60 milhões de toneladas de soja e 209 milhões de toneladas de milho para atender à demanda global nos próximos cinco anos.

Dessa forma, com a limitação de crescimento de produção de soja e milho em outros países, o agronegócio brasileiro se posiciona como um dos principais candidatos a se beneficiar dessa necessidade maior de grãos. Mas essa demanda adicional será acompanhada por uma preocupação em relação à origem dos produtos e seus níveis de atendimento às práticas socioambientais.

Impacto no mercado brasileiro

O crescimento das exportações de proteína nos últimos anos não deve se repetir, em especial, por conta do espaço aberto no mercado chinês e pela falta de grandes importadores para absorver a oferta de carnes que deixará de ser comprada pela China. Além disso, o aumento do consumo no Brasil não deve ser relevante ao ponto de gerar algum impacto no setor.

O preço das carnes suína, bovina e de frango deve ser afetado pela recuperação da suinocultura chinesa a médio e longo prazos, com tendência de queda, inclusive para o consumidor brasileiro. Assim, os produtores de proteína animal, em especial de suínos, precisam tomar cuidado com as decisões de investimento e a expansão ao longo dos próximos anos.

Quer saber mais sobre o mercado de carne e grãos? Inscreva-se no Summit Agro, evento que reúne, entre os dias 23, 24 e 25 de novembro, os maiores especialistas do setor no Brasil. Acompanhe o evento, que será online e gratuito.

Fonte: Diretoria de Agronegócio Itaú BBA.