Carne suína: qual o impacto da PSA na Alemanha para o mercado brasileiro?

26 de outubro de 2020 5 mins. de leitura
Alemanha é um dos maiores produtores de carne suína do mundo, e a suspensão de suas exportações pode beneficiar produtores do Brasil

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Assim como em 2019, a peste suína africana (PSA) continua dando as regras no mercado internacional de carnes. Agora, a Alemanha, que responde por 5% da produção mundial dessa proteína, foi atingida pela doença e precisou suspender as exportações para alguns de seus principais mercados, como a China. 

O país asiático, com 17 %, é o maior consumidor da carne suína alemã fora da União Europeia (o bloco corresponde a 70% das exportações). A China, por sua vez, é o maior consumidor dessa proteína no mundo e tinha a Alemanha como seu terceiro maior fornecedor — isso depois que surtos de PSA causaram a morte ou abate de mais de 100 milhões de animais, obrigando o país a importar para atender à demanda. 

Conforme analisa diversas fontes — como a U. S. Department of Agriculture (USDA), órgão do governo norte-americano para a agropecuária —, esse cenário levantou a possibilidade de que produtores de outros países, incluindo o Brasil, precisem ser acionados para suprir o enorme mercado chinês. 

Embargo à carne suína alemã pode beneficiar produtores brasileiros. (Fonte: Estadão/Reprodução)

Como está a situação da PSA na Alemanha?

O primeiro caso de PSA em território alemão foi confirmado no dia 10 de setembro: um javali selvagem, no estado de Brandemburgo, próximo à fronteira com a Polônia. Já no dia 12 de setembro, a China suspendeu as importações de carne alemã, alegando questões de segurança — de qualquer forma, o embarque da carne suína para esse país demanda certificados de que o país não tem casos de PSA. 

Desde então, outros mercados — incluindo o Brasil, no dia 14 de setembro — também sinalizaram a suspensão das importações e pediram explicações sobre o surto de PSA ao governo alemão. Em contrapartida, os contratos com outros países da União Europeia incluem acordos de regionalização, ou seja, apenas as exportações de carne produzida no estado de Brandemburgo, onde o surto está acontecendo, precisam ser suspensas. 

O Ministério da Agricultura alemão está buscando as mesmas condições com os países de fora do bloco, mas, enquanto isso não acontece, o comércio continua suspenso. Até o dia 21 de setembro, o número de casos de PSA em território alemão tinha chegado a 29, segundo informações divulgadas pela agência de notícias Reuters. Nenhum suíno em fazendas foi afetado, apenas animais selvagens e todos no estado de Brandemburgo.

Restrições foram impostas depois que casos de PSA foram registrados em animais selvagens na Alemanha. (Fonte: Estadão/Reprodução)

Como isso impacta a produção brasileira?

É interessante lembrar que, desde que a peste suína começou a afetar a produção chinesa, ainda em 2019, o Brasil se tornou um dos principais fornecedores da proteína para esse mercado. Dessa forma, apenas em agosto de 2020, a China importou 50,7 mil toneladas de carne suína brasileira, 168% a mais do que no mesmo mês do ano passado, segundo informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Nesse contexto, parece natural que o mercado chinês se volte novamente para o Brasil, e as exportações de carne suína aumentem. Porém, pelo menos no futuro próximo, há um fator limitante para isso: o número de plantas certificadas pelas autoridades do país. “As plantas que vendem para a China já estão com muita capacidade utilizada para atender à demanda daquele país”, contou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, à agência de notícias Reuters

Mesmo assim, o representante pondera que a consequência do embargo é positiva para os produtores brasileiros. Isso porque com a diminuição da oferta, os preços da carne suína no mercado internacional tendem a aumentar. 

A notícia ainda é recente para fazer projeções, porém o último boletim quinzenal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, de 16 de setembro, já observava que os altos preços pagos por consumidores externos, somados ao aumento das exportações e à alta do dólar, geraram uma renda de 1,07 bilhões de reais para o setor em agosto, ou seja, mais que o dobro do mesmo mês em 2019. 

No mercado interno, os preços continuam batendo recordes: em setembro, o indicador do suíno vivo do Cepea ultrapassou os R$ 8 em algumas praças, contra uma média de R$ 4 em abril de 2020. 

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Fonte: Agência Reuters, Deutsche Welle, Associação Brasileira de Proteína Animal e Cepea/USP.