Cabotagem pode baratear custos de transporte do agronegócio

12 de fevereiro de 2021 4 mins. de leitura
Cabotagem no agronegócio pode custar menos da metade do valor gasto com o modal rodoviário, mas transporte aquaviário representa apenas 11% da matriz logística

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O Brasil tem 8 mil quilômetros de costa, com cerca de 80% da população brasileira residindo em até 200 quilômetros do litoral. Essas condições tornam viável a navegação por cabotagem (ou a navegação sem perder a costa de vista). Apesar disso, o sistema aquaviário representa apenas 11% da matriz logística brasileira, mas vem ganhando espaço nos últimos anos, em especial por conta das cargas do agronegócio. 

Vantagens da cabotagem

A costa brasileira pode ser mais utilizada para baratear a logística de transporte do setor agropecuário. (Fonte: Shutterstock/Kudryashova Vera/Reprodução)
A costa brasileira pode ser mais utilizada para baratear a logística de transporte do setor agropecuário. (Fonte: Shutterstock/Kudryashova Vera/Reprodução)

Um dos principais atrativos é o menor custo. Segundo a análise de custo realizada pela coordenadora de Assuntos Estratégicos da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), Elisangela Pereira Lopes, o frete de caminhão do milho de Sapezal (MT) até Fortaleza (CE), por rota tradicional, sai por R$ 478 por tonelada. Enquanto isso, o custo do transporte por cabotagem custa R$ 230 a tonelada do grão — uma redução de 58,2% em relação ao rodoviário.

Além disso, o modal tem disponível uma frequência de navios e uma abrangência territorial de atendimento elevadas. Isso possibilita o atendimento nos principais corredores de demanda Sul-Sudeste para Norte-Nordeste.

A cabotagem também é vantajosa para o setor agropecuário, pois permite uma logística de armazenamento e estoque flutuante mais segura, uma vez que as cargas ficam armazenadas em contêineres em área portuária ou navegando a bordo de navios dentro da rota prevista até o destino final.

O transporte aquaviário também propicia a redução do número de acidentes nas estradas, e menor impacto ambiental, com menos emissão de CO2 em toda a cadeia e redução na necessidade de investimentos para manutenção de vias e estradas.

Transporte aquaviário no agronegócio

Entre as vantagens, o transporte por cabotagem apresenta melhor segurança no armazenamento. (Fonte: Shutterstock/Erich Sacco/Reprodução)
Entre as vantagens, o transporte por cabotagem apresenta melhor segurança no armazenamento. (Fonte: Shutterstock/Erich Sacco/Reprodução)

O modal está ligado tradicionalmente a grandes carregamentos, como minérios e madeira. Entretanto, o mercado doméstico está aumentando o fluxo de cargas de alguns setores, como arroz, grãos nobres, feijão, açúcar, tratores, fertilizantes, milho, cacau e açaí congelado, entre outros.

O aumento da navegação entre portos brasileiros teve um crescimento médio de 13% por ano no período de 2011 a 2018. A partir de 2019, o ritmo diminuiu, mas ainda se manteve alto, com incremento anual de 8% no desempenho.

Isso se deve, principalmente, a investimentos privados que buscam soluções de logísticas mais sustentáveis e obras públicas para corredores logísticos aquaviários. Obras como o derrocamento do Pedral do Lourenço, no Rio Tocantins (PA), abrirá um corredor hidroviário de 510 quilômetros entre o município de Marabá (PA) e o Porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), com uma capacidade de embarcar 20 milhões de toneladas de grãos.

Destaque no setor

O setor de alimentos congelados vem se aproveitando das vantagens do modal. A Seara iniciou o transporte por cabotagem em 2013 e, desde então, vem investindo pesado no setor. Em outubro de 2020, a empresa aumentou em 80% o volume de contêineres refrigerados com relação ao mesmo mês de 2019 e se posicionou como líder nacional no segmento.

A Seara afirma que o uso do transporte aquaviário reduziu a emissão de mais de 1,3 mil toneladas de gases de efeito estufa em relação ao transporte rodoviário. O volume é equivalente a 79 voltas ao mundo ou 75 caminhões rodando por ano.

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Fonte: Gov.

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