A importância da eficiência logística na distribuição de grãos

14 de abril de 2020 4 mins. de leitura
Setor de logística do agronegócio deve movimentar mais de 251 milhões de toneladas de grãos para portos e centros consumidores na safra 2020

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A agricultura brasileira se transformou radicalmente nas últimas décadas, com aumento da área de plantio e melhoria na produtividade média. A colheita de grãos saltou de 38 milhões de toneladas em 1975 para 236 milhões em 2017. Na safra 2020, o setor logístico deve transportar mais de 251 milhões de toneladas de grãos.

Os principais centros produtivos do Brasil se localizam no interior do continente, longe dos polos consumidores e dos portos exportadores. O coCEO da Sotran Logística, Charlie Conner, comenta que “é mais caro transportar a soja de Mato Grosso até o porto que do porto brasileiro para a barriga do porco na China”.

O custo com a logística da soja, para seguir o exemplo, representa entre 6% e 15% do valor final do produto, a depender da rota utilizada. O transporte rodoviário representa o segundo maior custo, ficando atrás somente das despesas de produção do grão, afirma o executivo.

A Sotran é uma das maiores transportadoras digitais de cargas do Brasil e tem uma plataforma que conecta cerca de 200 mil motoristas do agronegócio a 900 empresas proprietárias de carga, entre elas gigantes como Cargill, JBS e Bunge.

O cenário mostra que a distribuição eficiente dos produtos é imprescindível para a competitividade e a consolidação da agricultura brasileira em âmbito internacional.

Perfil da logística brasileira

(Fonte: Shutterstock)

Conner calcula que cerca de 65% do transporte de grãos do Brasil são realizados por caminhões. O executivo observa que a malha ferroviária nacional ainda tem pouca capilaridade, enquanto o transporte hidroviário é recente e concentrado no norte do País.

O mercado de transporte rodoviário brasileiro movimenta R$ 400 bilhões por ano, calcula o empresário, e a distribuição de grãos é responsável por 10% desse valor, segundo ele. Para se ter uma ideia, somente a Sotran movimentou 12,7 milhões de toneladas de carga como soja, milho, açúcar, trigo e fertilizantes em 2019.

O executivo estima que existem cerca de dois milhões de caminhoneiros nas estradas brasileiras; destes, 500 mil se dedicam ao agronegócio.

Modelo ineficiente

(Fonte: Shutterstock)

Historicamente, a logística é feita de forma caseira, em um mercado que foi rústico por muito tempo, observa Conner. E, para ele, o modelo de distribuição dominante no setor de transportes do agronegócio é ineficiente. “O mercado é dominado por um grande número de empresas familiares, com baixo profissionalismo, pouco capital e zero tecnologia”, observa o coCEO. Nesse modelo, a conexão entre as partes, desde o campo até o cliente final, é quase totalmente presencial e manual.

A maioria dos motoristas precisa parar em postos para pegar carga. Os profissionais esperam em filas a demanda das transportadoras ou têm de negociar o frete pessoalmente com vários fornecedores. Após a contratação do serviço, o caminhoneiro precisa carregar uma série de documentos durante a viagem, entre eles a carta-frete, que é a garantia de pagamento e pode ser trocada por dinheiro ou diesel nos postos de combustível.

Para Conner, o Brasil apresenta melhoria na infraestrutura logística, alavancada pela eficiência em portos e ferrovias, no entanto, o setor ainda enfrenta gargalos com a regulação que exige, por exemplo, um documento fiscal em papel, e com a burocracia administrativa entre as empresas.

Inovações tecnológicas aumentam eficiência

O executivo acredita que a indústria logística está reagindo à ineficiência do setor e investindo em mais tecnologia para reduzir a quantidade de papéis. O governo também procura parceiros para juntar todos os documentos que o motorista precisa carregar em um único modelo digital.

A tecnologia permite a eliminação de parte da burocracia envolvida na logística, tornando o processo mais ágil e com maior controle dos trâmites logísticos, possibilitando, inclusive,  acompanhar a localização da carga em tempo real.

A digitalização dos processos também proporciona redução de custos quando aplicada em escala e gera benefícios para toda a cadeia, aumentando a competitividade do setor agrícola brasileiro. O motorista pode realizar o transporte de forma mais prática, ganhando mais tempo, e o produtor pode melhorar a margem de lucro, mantendo os preços.

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Fonte: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Embrapa.

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