Retomada verde pode impulsionar mercado de crédito de carbono

24 de novembro de 2020 3 mins. de leitura
Crédito de carbono, estabelecido pelo Protocolo de Quioto, deve beneficiar economia brasileira, especialmente com a retomada verde pós-covid-19

O crédito de carbono surgiu com a assinatura do Protocolo de Quioto em 1997 e foi ratificado durante o Acordo de Paris em 2015, mas o mercado internacional de títulos verdes ainda não decolou. No entanto, algumas empresas privadas mesmo sem regulamentação específica em diversos países têm proposto iniciativas que põe a sustentabilidade na agenda global a longo prazo.

O retorno às atividades econômicas, após a fase mais aguda da crise provocada pelo coronavírus, ressalta a importância da reconfiguração das cadeias produtivas a partir de uma preocupação com o meio ambiente. A retomada verde deve impulsionar o mercado de crédito de carbono, e o agronegócio brasileiro pode se beneficiar disso.

A compra de títulos verdes é uma estratégia cada vez mais adotada por grandes conglomerados internacionais para compensar as suas emissões de carbono. O setor agropecuário, com ações sustentáveis, tem a capacidade de gerar créditos da emissão. Dessa forma, o mercado verde pode gerar renda extra para os produtores no campo.

Mercado bilionário de crédito de carbono

Preservação da floresta Amazônica pode render US$ 10 bilhões ao ano para o Brasil. (Fonte: Shutterstock)
Preservação da floresta Amazônica pode render US$ 10 bilhões ao ano para o Brasil. (Fonte: Shutterstock)

Para conter o aquecimento global, o planeta precisa reduzir as emissões em 11 bilhões de toneladas de CO2 por ano. O Brasil teria capacidade de absorver da atmosfera 2,7 bilhões de toneladas de gases por ano, segundo estimativa da petroleira Shell. Dessa forma, quando sair do papel, o sistema internacional poderá render bilhões para o País.

Somente os créditos de carbono gerados pela preservação da Amazônia podem render US$ 10 bilhões ao ano para o Brasil, de acordo com avaliação de líderes do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds). A entidade reúne os maiores grupos empresariais do País, como Bayer, Vale, petrolíferas e bancos, entre outros.

Para o mercado existir no Brasil, o Cebds defende a limitação da poluição de empresas, criando mercados locais de direitos de emissão, como ocorre na União Europeia e na Califórnia, o estado mais rico e populoso dos Estados Unidos. Espera-se que, até o fim deste ano, o Ministério da Economia apresente diretrizes técnicas para criar um mercado nacional.

Negociações privadas

Bayer começará a recompensar agricultores brasileiros com crédito de carbono. (Fonte: Shutterstock)
Bayer começará a recompensar agricultores brasileiros com crédito de carbono. (Fonte: Shutterstock)

O setor privado brasileiro já se prepara para participar de transações quando as regras forem regulamentadas. O Programa Compromisso com o Clima, lançado em 2017, reúne empresas interessadas em comprar créditos de carbono para neutralizar suas emissões e realizar projetos socioambientais geradores de créditos certificado.

De 2017 a 2019, o programa credenciou 11 projetos de geração de créditos de carbono. Empresas que participam da iniciativa, como a Natura, estipularam metas internas para alcançar emissões líquidas zero. De 2007 a 2018, a empresa compensou 3,6 milhões de toneladas de gases, gerando R$ 1,6 bilhão em compras de títulos verdes.

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Fonte: Estadão, Ecycle, Irani Papel e Embalagem, Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas e Bayer.

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