Qual é o futuro do agronegócio brasileiro na cena internacional?

23 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
No Summit Agro 2020, diretor-executivo da Tropical Forest Alliance avalia o posicionamento do agronegócio brasileiro no novo contexto global

Começou nesta tarde o Estadão Summit Agro 2020 em versão inteiramente online e gratuita. A abertura do evento, que acontece até quarta-feira (25), contou com a presença de Justin Adams, diretor-executivo da Tropical Forest Alliance (TFA) e ligado ao Fórum Econômico Mundial.

Em palestra, o especialista declarou que o Brasil tem um papel fundamental na segurança alimentar mundial e abordou as relações entre agricultura, commodities e desmatamento. Segundo Adams, essa importância pode ser vista por meio do crescimento da exportação de soja nos últimos 20 anos, que mostra o sucesso do aumento de produtividade do agronegócio brasileiro. “O Brasil pode ser um líder agrícola e de meio ambiente no mundo em uma visão de longo prazo até 2030”, disse o diretor-executivo.

A narrativa brasileira do agronegócio é dominada por inovações científicas, e o uso de novas tecnologias tem sido essencial para aumentar o volume da produção sem afetar o meio ambiente, de acordo com Adams. No entanto, existe uma ideia dominante nos Estados Unidos e na Europa de que a produção de alimentos do Brasil destrói e é incompatível com o meio ambiente. Ao mesmo tempo, as negociações internacionais começam a pressionar pela sustentabilidade nas atividades agropecuárias.

Meio ambiente global

O entendimento das mudanças climáticas está ficando cada mais nítido, ao passo que os anos estão sendo mais quentes e os eventos críticos estão mais fortes e frequentes, segundo o especialista. Nesse movimento, a ciência está mostrando como o setor privado pode contribuir para atenuar esses efeitos.

“Minha visão trabalhando com os produtores da América do Norte é de que esses produtores experimentam a mudança climática de uma maneira muito mais aguda do que as pessoas na zona urbana”, afirma Adams. 

Outra questão importante trazida pelas mudanças climáticas é a perda de biodiversidade. Mais de 1 milhão de espécies estão sob risco de extinção, algo que nunca foi visto antes, de acordo com o executivo. E esse perigo tem sido impulsionado pela atividade humana.

Mudança nas dinâmicas comerciais e políticas

(Fonte: Summit Agro 2020/Reprodução)
Preocupação global com sustentabilidade gera exigências, mas também novas oportunidades, avalia Adams. (Fonte: Summit Agro 2020/Reprodução)

O uso da terra e a agricultura estão sob a mira da atenção mundial. Cerca de um quarto das emissões globais de carbono é realizado pela produção de alimentos, o que está mudando a dinâmica das relações econômicas e políticas no mundo. Antes mesmo da pandemia, um relatório do Fórum Econômico Mundial apontou que os cinco maiores fatores de risco para a economia global estão ligados ao meio ambiente.

Segundo o levantamento, aproximadamente US$ 44 trilhões dependem da natureza para serem movimentados, representando mais da metade de toda a produção econômica mundial. Qualquer decisão relacionada à economia deve ser pensada considerando a sustentabilidade ambiental.

Novas oportunidades

O novo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia tem colocado pressão adicional nas leis ligadas à “importação de desmatamento”, como foi feito recentemente pelo Reino Unido, que não faz mais parte do bloco econômico, mas tem influência sobre ele.

Se por um lado isso pode causar dificuldades para parte da produção agrícola brasileira, por outro lado a preocupação com o meio ambiente pode gerar novas oportunidades, como a exploração de ferramentas que permitem o rastreio da produção, mostrando a origem das lavouras e sua possível relação com os riscos de desmatamento. Segundo Adams, há um interesse, também, em investir em inovações financeiras para produção sustentável e reflorestamento.

As maiores oportunidades proporcionadas pelo novo contexto global estão no crescimento de investimentos em soluções baseadas na natureza e que tenham compromisso de emissão zero de carbono em sua cadeia produtiva. No Brasil, os investimentos desse tipo em 2019 somaram mais de US$ 159 milhões, e ainda há grande margem para o crescimento desse mercado.

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Fonte: Fórum Econômico Mundial e Canal Agro.

Canal Agro