Nova fibra têxtil vegetal permite produção com baixo carbono

12 de abril de 2022 4 mins. de leitura
Indústria desenvolve inovação sustentável para atender à demanda crescente do mercado por fibra têxtil vegetal

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Uma startup finlandesa conseguiu desenvolver, em menos de dois anos, uma nova fibra têxtil vegetal. A Nordic Bioproducts Group, criada a partir da Universidade Aalto, patenteou uma tecnologia que pode substituir materiais produzidos por meio de combustíveis fósseis, como poliéster, poliamida e elastano.

No primeiro ano da pandemia, a indústria têxtil brasileira ficou sem matéria-prima e insumos pela interrupção da cadeia global de abastecimento. Com a retomada econômica, a demanda por elastano cresceu, afinal o produto está presente em 50% do vestuário de todo o mundo, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Entretanto, o fio sintético de alta tecnologia é produzido a partir do petróleo e, além de aquecer e queimar fácil, o material é pouco sustentável e fica à mercê da variação de preço do óleo natural.

Por conta da sua cadeia produtiva, a fabricação de elastano emite gases de efeito estufa e produz substâncias poluentes para seres humanos, animais e vegetais. As fibras sintéticas, quando se desprendem do tecido, ainda produzem microplásticos que não são biodegradáveis.

Tecnologia da fibra têxtil

A tecnologia foi desenvolvida em apenas seis meses. (Fonte: Pentti Pällijeff/Photino Science/Reprodução)
A tecnologia foi desenvolvida em apenas seis meses. (Fonte: Pentti Pällijeff/Photino Science/Reprodução)

Em 2020, a Nordic Bioproducts começou a desenvolver uma fibra têxtil econômica e escalável em colaboração com a Universidade de Tampere. O professor Olli Dahl, líder de um grupo de pesquisa em tecnologias limpas, sugeriu utilizar o processo Aaltocell, que tem sido explorado na produção de fibras têxteis há vários anos. Por utilizar esse método já consolidado, o desenvolvimento foi rápido e, em junho de 2021, os primeiros experimentos de fiação úmida foram realizados.

No procedimento, a celulose obtida a partir de subprodutos da indústria florestal e resíduos é processada em partículas pequenas para serem transformadas em uma fibra têxtil vegetal. As propriedades do material foram descritas como “próximas da viscose, com propriedades semelhantes ao algodão”, mas com potencial a longo prazo para substituir o poliéster.

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Potencial de mercado

Fibra têxtil passou no "teste do tricô" realizado por pesquisadores.(Fonte:Pentti Pällijeff/Photino Science/Reprodução)
Fibra têxtil passou no “teste do tricô” realizado por pesquisadores.(Fonte:Pentti Pällijeff/Photino Science/Reprodução)

O novo processo está sendo visto como uma solução sustentável para as fábricas de fibra de viscose existentes, pois permite eliminar o uso de dissulfeto de carbono tóxico.

A tecnologia ainda possibilita a economia circular, mesmo de materiais mistos, porque, em escala laboratorial, as fibras naturais já foram separadas dos plásticos em frações limpas.

A produção global de fibras têxteis pode alcançar 127 milhões de toneladas em 2027, segundo estimativa do relatório Textile Fibers — Global Market Trajectory & Analytics. O volume representa um crescimento de 16% em comparação ao resultado de 2020. As fibras sintéticas representam dois terços do total produzido no mundo.

Por enquanto, a fábrica-piloto da Norratex ainda está em construção para produzir 10 mil toneladas por ano. Um investimento de 30 milhões de euros está sendo realizado para implantar uma unidade fabril em Lappeenranta (Finlândia), ela ficará próxima a seis fábricas de celulose já existentes.

Quer saber mais? Assista aqui à opinião e explicação dos nossos parceiros especialistas em agronegócio.

Fonte: Nordic Bioproducts, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Reasearchandmarkets.

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