Apicultura: como funciona a colmeia-robô?

5 de julho de 2022 4 mins. de leitura
Colmeia-robô promete reduzir a desordem do colapso da colônia de abelhas, um dos principais problemas do agronegócio mundial

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A startup israelense Beewise Technologies criou uma colmeia robótica, chamada de BeeHome, que mantém o funcionamento de uma colônia sem a necessidade de intervenção direta de um apicultor. O sistema é controlado por inteligência artificial (IA), que monitora o hábitat, regula o ambiente e fornece automaticamente açúcar, água e remédios às abelhas.

A ideia surgiu para tentar conter a desordem do colapso da colônia que acontece quando as abelhas operárias abandonam a colmeia e a rainha. O fenômeno é uma das principais preocupações da agricultura, afetando tanto as abelhas selvagens quanto as domesticadas, cujo as causas são desconhecidas.

A startup captou mais de US$ 80 milhões em investimentos. Mais de cemcolmeias robóticas estão instaladas em Israel, uma dezena foi importada para os Estados Unidos e, até 2025, a Beewise espera entrar no mercado europeu. Além de vender as BeeHomes, a empresa planeja produzir e comercializar mel.

Funcionamento da colmeia robótica

(Fonte: Beewise/Divulgação)
As abelhas são responsáveis pela polinização das culturas, o que aumenta a produção de sementes e frutas, além de garantir a biodiversidade. (Fonte: Beewise/Divulgação)

Cada BeeHome tem 12 metros quadrados, com capacidade para 24 colmeias que podem abrigar até 2 milhões de abelhas. A colmeia-robô é alimentada por energia solar, além de ser equipada com câmeras com tecnologias de visão computacional e sensores.

A tecnologia consegue entender as necessidades das abelhas assim que elas surgem. O equipamento pode, de forma automática, controlar a umidade e temperatura da colmeia, colher o mel, cuidar da saúde da população, evitar enxames e afastar pragas.

“Somos a única solução no planeta hoje que permite o tratamento contra varroas sem produtos químicos”, disse o fundador da startup, Saar Safra. O parasita se alimenta da reserva de gordura dos insetos adultos e pode levar ao colapso da colônia.

Todos os dados da colônia, inclusive a produção de mel, podem ser acompanhados em tempo real e de forma remota por um aplicativo de smartphone. Os problemas são diagnosticados imediatamente e um alerta é emitido para que o apicultor possa intervir.

De acordo com Safra, as BeeHomes apresentam apenas 8% de colapso das colônias por ano, reduzindo a mortalidade geral das abelhas em 80%. Em média, os apicultores conseguem colher 60% mais mel das colmeias-robôs do que das caixas de apicultura tradicionais.

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Colheita de mel

Todo o trabalho manual é realizado automaticamente pelas máquinas na colmeia robô. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Todo o trabalho manual é realizado automaticamente pelas máquinas na colmeia-robô. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Na produção tradicional, os apicultores esperam as abelhas acumularem mel durante as estações de fluxo intenso — que duram de dois a três meses — para realizar a colheita. Como cuidam de centenas de colmeias, não há como verificar cada quadro individualmente para checar a produção.

O equipamento possibilita a colheita sem esperar que uma colônia inteira produza muito mel. Em vez disso, a BeeHome coleta automaticamente cada quadro quando está cheio, enviando-o diretamente para uma centrífuga que gira por cerca de 8 minutos a 15 minutos.

Em seguida, o mel é encaminhado para um recipiente grande, e o quadro é colocado de volta ao trabalho na colônia para coletar mais mel imediatamente. Tudo isso sem a intervenção do apicultor.

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Fonte: Times of Israel, The Robot Report,Reuters, Beewise

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