Fome no campo é agravada apesar de produção recorde

15 de julho de 2021 4 mins. de leitura
Em meio à pandemia, seca e supersafra de 272 milhões de grãos, milhões de brasileiros sofrem por causa da situação de pobreza extrema e fome

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Apesar da celebração do Ministério da Agricultura sobre a “supersafra” de mais de 272 milhões de grãos, muitos brasileiros foram empurrados para uma situação extrema de pobreza e fome durante a pandemia de covid-19.

Mesmo sendo o segundo maior País exportador do mundo, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), cerca de três a cada quatro domicílios nas áreas rurais brasileiras (75,2%) apresentaram estágios de insegurança alimentar entre agosto e dezembro de 2020. Os dados são de um estudo publicado em abril de 2021 pela Universidade Livre de Berlim.

Desigualdade no campo

Sem grande acesso a doações, moradores de áreas rurais sofrem por causa da insegurança alimentar grave. (Fonte: Juliana Rodrigues/Shutterstock)
Sem grande acesso a doações, moradores de áreas rurais sofrem por causa da insegurança alimentar grave. (Fonte: Juliana Rodrigues/Shutterstock)

De acordo com o levantamento feito pela universidade alemã, o percentual de domicílios enfrentando insegurança alimentar no campo ultrapassa as marcas obtidas em grandes cidades (55,7%) e a média nacional (59,4%). Além disso, as áreas rurais estão mais sujeitas a insegurança alimentar grave, que ocorre quando as crianças da família também sofrem com a escassez de alimentos e a fome torna-se um problema cotidiano.

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No campo, a falta de alimento é categorizada como leve em 28% dos domicílios que estão atualmente em situação de insegurança alimentar. Isso significa que essas famílias têm incerteza quanto ao acesso a alimentos e à qualidade nutricional. Enquanto isso, 19,9% sofrem devido à insegurança alimentar moderada, e 27,3% encaram a grave.

A realidade é um pouco diferente nas áreas urbanas. Nesses espaços, a insegurança alimentar leve afeta 31,6% dos lares: 11% na versão moderada e 13,1% na grave. 

Combinação de fatores levam mais fome aos campos

Na visão dos especialistas que estudam a desigualdade no campo, existe uma combinação de fatores para que a insegurança alimentar esteja mais presente nessas partes do Brasil. 

Entre os motivos apontados como contribuintes para o aumento da fome, estão o maior percentual de pobreza no campo, a limitação de recursos hídricos em diversas regiões do País, a elevada concentração de terras e o menor acesso das comunidades rurais aos serviços de segurança alimentar oferecidos tanto pelo Governo quanto por redes privadas de doações.

Em declaração à BBC, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e o Instituto Pensar Agropecuária (IPA), junto ao Ministério da Agricultura, destacaram que pretendem lançar um programa de arrecadação e doação de alimentos para famílias do campo impactadas pela pandemia durante o mês de junho. 

Seca e pandemia

Com forte seca em 2021, pequenos agricultores lidam com redução na renda familiar. (Fonte: Shutterstock)
Com forte seca em 2021, pequenos agricultores lidam com redução na renda familiar. (Fonte: Shutterstock)

Apesar da grave situação social vivida pelo Brasil, não é a falta de produtividade no campo que impacta a desigualdade social no País. Os números recentes mostram que a produção de alimentos se manteve em alta mesmo com a pandemia de covid-19, escancarando que o real problema é a falta de recursos para o trabalhador rural.

“A fome não é resultado da falta de produção de alimentos, mas da falta de acesso a eles”, disse Renata Motta, pesquisadora da Universidade Livre de Berlim, em sua pesquisa. Em 2021, o status da fome no país se agravou ainda mais por conta das fortes secas que vêm impactando as regiões rurais.

Os principais impactados pela falta de recursos hídricos acabam sendo os pequenos produtores e agricultores, que sofrem com a quebra de safras, observam a renda familiar cair e verificam os produtos nas prateleiras dos mercados subirem consideravelmente

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Fonte: Brasil de Fato. 

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