Os impactos do coronavírus na pecuária

Alta de preço de insumos e a paralisação do setor de food service preocupam pecuária brasileira

Os impactos do coronavírus na pecuária
23/04/2020 • 3 min. de leitura

A crise generalizada provocada pelo coronavírus vem afetando toda a cadeia do agronegócio. Na pecuária, a alta do preço de insumos, como soja e milho, e os reflexos do fechamento de restaurantes, bares e hotéis preocupam os produtores.

Os pecuaristas estão tendo de lidar com a queda de preços de produtos e o aumento dos custos de produção. A continuação dessas tendências poderá causar margens negativas e perda de competitividade do setor.

Somente neste ano, o milho acumulou valorização de 18,3% no mercado interno brasileiro. A alta do dólar e a corrida por exportações fizeram com que a soja subisse 11% apenas no mês de março, e o mercado interno acompanhou a evolução dos preços.

O governo federal isentou de Pis/Pasep a suplementação animal, a fim de manter o abastecimento de alimentos e apoiar o produtor durante a crise provocada pela pandemia.

Boi gordo

(Fonte: Shutterstock)

O preço da arroba sofreu desvalorização de 3,5% somente na primeira semana de abril, de acordo com informações da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA). Com a diminuição das vendas no atacado e no varejo (principalmente das carnes nobres)  e as medidas para contenção do novo coronavírus, há pelo menos 11 plantas frigoríficas paradas.

No entanto, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a demanda para exportação segue dando sustentação às compras de animais a preços maiores. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 125,9 mil toneladas de carne bovina in natura em março, um volume recorde para o mês.

Lácteos

A captação de leite de grandes indústrias está mantida na produção de leite UHT e leite em pó, mas houve redução de outros processados, como os queijos. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) permitiu a comercialização de leite de pequenos laticínios com inspeção municipal e estadual para indústrias com inspeção federal, criando uma alternativa para pequenos produtores escoarem a produção.

Aves

(Fonte: Shutterstock)

A exportação brasileira de carne de frango se mostrou estável em março quando comparada a números de fevereiro, segundo a Secex. No mercado interno, os produtos congelados continuam com demanda alta, e uma pequena recuperação é sentida no mercado de resfriados.

No entanto, isso não foi necessário para conter a queda de preços provocada pela redução das compras por parte de restaurantes, hotéis e demais serviços de alimentação, segundo o Cepea.

A desvalorização do frango vivo acumulou baixa de cerca de 10% nos dois primeiros dias de abril em São Paulo, conforme dados da JOX Consultoria.

Suínos

(Fonte: Shutterstock)

De acordo com o Cepea, a demanda final pela carne suína continua fraca. O mercado atacadista tem influenciado na redução do ritmo de produção dos frigoríficos e na demanda de novos lotes.

O preço pago pelos animais vivos caiu em todas as praças, variando de -5,2% em Mato Grosso a -15,4% em Minas Gerais, em relação à última semana de março.

Os produtores independentes buscam novas formas de organização coletiva para comercializar a produção, a fim de compensar a diminuição nas compras de animais.

Se interessou pelo assunto? Aprenda mais com especialistas da área no Summit Agro. Enquanto isso, acompanhe as notícias mais relevantes do setor pelo blog. Para saber mais, é só clicar aqui.

Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - Esalq/USP (CEPEA) e Estadão.