Qual é o impacto dos preços do milho e da soja na criação de aves e suínos?

15 de julho de 2021 4 mins. de leitura
Estudo da CNA analisa como os gastos dos produtores com milho e farelo de soja influenciam na avicultura e suinocultura brasileira neste ano

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O milho e a soja são os principais componentes da ração para diversas cadeias produtivas na pecuária. As despesas com os grãos podem representar, por exemplo, até 90% do custo com a ração de avicultores de postura e suinocultores de ciclo completo, a depender do sistema produtivo, segundo um estudo realizado pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA).

A pesquisa identificou quais são os gastos com milho e farelo de soja que podem representar até 70% do custo operacional efetivo (COE) nas cadeias de aves e suínos. Assim, o produtor precisa redobrar a atenção no mercado desses dois grãos para diminuir o impacto das variações em seus preços.

Equilíbrio entre oferta e demanda

Não existe risco de desabastecimento de milho e soja no Brasil, aponta CNA, mas pecuaristas devem ficar atentos à oscilação de preços das commodities.(Fonte: Shutterstock/Pencil case/Reprodução)
Não existe risco de desabastecimento de milho e soja no Brasil, aponta CNA, mas pecuaristas devem ficar atentos à oscilação de preços das commodities.(Fonte: Shutterstock/Pencil case/Reprodução)

De acordo com o nono levantamento de acompanhamento da safra de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em junho, a produção de milho em 2020/2021 está estimada em 96 milhões de toneladas, uma redução de 6% em relação à temporada anterior. Por outro lado, a expectativa de aumento de consumo é de 6,2% por conta da retomada econômica. Esse cenário deve pressionar, ainda mais, a valorização do cereal.

No caso da soja, a oferta prevista para essa safra é de 135,8 milhões de toneladas, um incremento de 8,8% em relação a 2019/2020. Entretanto, isso pode não significar um alívio nos preços, pois as exportações do grão devem atingir 86 milhões de toneladas, um recorde histórico para o Brasil, puxado especialmente pela demanda chinesa.

Apesar do aumento nas exportações e da previsão do crescimento no consumo interno, a CNA destaca a possibilidade de risco de desabastecimento em 2021. Conforme dados da Conab, os estoques de milho devem crescer 2 milhões de toneladas na temporada e, os de soja, deverão ser acrescidos em aproximadamente 3,14 milhões de toneladas.

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Perspectivas de preços

Produtor deve procurar estratégias para se precaver contra possível valorização dos grãos que compõem a ração animal. (Fonte: Shutterstock/apidach/Reprodução)
Produtor deve procurar estratégias para se precaver contra possível valorização dos grãos que compõem a ração animal. (Fonte: Shutterstock/apidach/Reprodução)

Desde o segundo semestre de 2019, os preços dos grãos começaram a ter uma tendência de alta. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que o preço médio real da saca de 60 quilos de milho passou de R$ 50,11, em abril de 2019, para R$ 97,15, em abril de 2021, ou seja, um aumento de 93,9%. No caso da soja, o preço médio real da saca de 60 kg passou de R$ 105,34, em abril de 2020, para R$ 177,10, em abril de 2021, isto é, um aumento de 68,1%.

Segundo a avaliação da CNA, os preços recordes foram causados pelas incertezas originadas pela pandemia, valorização do dólar frente ao real, alta demanda por grãos no mercado chinês e os problemas climáticos que afetaram a primeira safra dos grãos.

Se os grãos continuarem valorizando e os preços dos demais componentes dos Índices de Custo de Produção (ICPs) de avicultura de postura e suinocultura acompanharem a variação da inflação (IGP-DI), a expectativa da CNA é que o ICP-Ovos e o ICP-Suínos aumentem 19,7% e 19,4%, respectivamente, até o final de 2021.

Dessa forma, os produtores devem se antecipar às possíveis variações de mercado, realizando a compra estratégica de grãos para diminuir os custos com o concentrado. O avicultor e o suinocultor podem também evitar o desperdício de ração na propriedade, além de fazer um balanceamento correto da dieta para reduzir os gastos na produção.

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Fonte: Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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