Paraquat sai do mercado após ser associado a Parkinson

23 de outubro de 2020 3 mins. de leitura
Após denúncias de que o agrotóxico era causador de distúrbios no sistema nervoso central, Anvisa decidiu manter proibição do produto

Quer impulsionar seus negócios? Se inscreva no Summit Agronegócio, evento que reúne os maiores especialistas em agro do País.

***

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter o banimento do agrotóxico paraquat em todo o País após claras evidências científicas de que seu uso estaria associado à doença de Parkinson. Desde 22 de setembro, o produto não pode mais ser produzido, comercializado ou utilizado no território nacional.

A medida foi tomada pela Anvisa em setembro de 2017, quando o órgão ofereceu prazo de três anos para que o herbicida saísse do mercado brasileiro. No agronegócio, o paraquat é utilizado em culturas como algodão, arroz, banana, feijão, milho e trigo para o controle de plantas daninhas.

Os efeitos do banimento do paraquat

Anvisa planeja banimento do paraquat desde 2017. (Fonte: Shutterstock)

A decisão por três votos a dois tomada pela diretoria colegiada da Anvisa a favor da proibição do agrotóxico gerou grande repercussão no agronegócio. Em parceria, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), produtores rurais, indústrias e Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) pediram a prorrogação do prazo da decisão para que pudessem apresentar novas provas que comprovassem a ausência de malefícios do herbicida quando aplicado com as medidas corretas de proteção.

A pasta do governo alega que, como o produto foi adquirido recentemente, sua substituição nos campos alavancaria os custos de produção e afetaria a economia do setor. Em contrapartida, o diretor do comitê da Anvisa Marcus Aurélio de Araújo ofereceu uma proposta de “meio-termo” com regras de mitigação de risco e de esgotamento do estoque.

Segundo os diretores da Anvisa, o resultado favorável ao banimento pode ser revisto a qualquer momento, desde que apareçam novas evidências científicas sobre o caso. 

O uso de agrotóxicos no Brasil

Mapa alertou sobre possíveis dificuldades econômicas geradas pela substituição do paraquat no mercado. (Fonte: Shutterstock)

Em 2018, a Unearthed, organização jornalística financiada pelo Greenpeace, apontou o Brasil como o principal comprador de pesticidas do mundo, sobretudo daqueles qualificados como altamente perigosos. Dois terços dos US$ 4,8 bilhões arrecadados pelas cinco principais empresas do setor vieram de países de média e baixa renda, sendo o Brasil o maior destino. De acordo com o atlas do uso de agrotóxicos no território nacional, um terço dos ingredientes utilizados na região são proibidos na União Europeia (UE).

O paraquat, por exemplo, está banido do bloco econômico europeu desde 2003, quando começaram os relatos de ligação com o mal de Parkinson, distúrbio que afeta o sistema nervoso central do corpo humano e provoca tremores.

Proibições

Com a proibição do herbicida paraquat, produtores rurais devem ficar atentos para possíveis punições. A Lei dos Agrotóxicos, criada em 1989, prevê que produção, venda, aplicação e transporte de um pesticida não autorizado em território nacional são passíveis de multa, interdição da propriedade, destruição da lavoura ou pena de até quatro anos de prisão.

Quer saber mais sobre o uso de agrotóxicos na lavoura? Inscreva-se no Summit Agro, evento que reúne os maiores especialistas em agronegócio do País.  

Fonte: Embrapa, Shutterstock, Summit Agro.