A estrutura logística brasileira na contramão das exportações de grãos

O potencial exportador agrícola brasileiro sofre com os impactos da falta de infraestrutura logística

A estrutura logística brasileira na contramão das exportações de grãos
15/09/2019 • 2 min. de leitura

Os números das exportações brasileiras de grãos são muito expressivos e suas cifras elevam o País ao patamar de segundo maior exportador mundial do produto. Na contramão corre a capacidade logística de atender a essa demanda de maneira eficiente e menos onerosa.

Embora o agronegócio participe positivamente no Produto Interno Bruto (PIB), responsável por 23,5% do total em 2017, os investimentos em estradas, portos e ferrovias nos últimos 20 anos vêm somando algo em torno de 4% a 5% do PIB, número insuficiente para gerar as mudanças necessárias para os entraves logísticos do País.

Perdas deixadas pelo caminho

Cerca de 80% de toda a soja do mundo estão praticamente concentradas em três países: Estados Unidos, Argentina e Brasil. Entre todos, o Brasil é o único que gasta cerca de quatro vezes mais em transporte para escoar sua produção até os portos. Certamente o mundo não está disposto a gastar de 20% a 30% mais para pagar por essa ineficiência.

Mais de 60% das cargas exportadas são transportadas por meio rodoviário até os portos, na modalidade com maior fluxo de cargas, mas que também apresenta os maiores problemas, com trechos inacabados ou em mau estado de conservação. A modalidade ferroviária transporta apenas 20% das cargas do País, com maior destaque para o minério de ferro.

Em locais como os Estados Unidos, a malha ferroviária é muito desenvolvida e a redução dos custos é muito pertinente, o que seria de grande valia para o Brasil em seu transporte de grãos do Centro-Oeste, por exemplo, para o Arco Norte, onde as estruturas portuárias para esse tipo de produto se mostram mais eficientes.

O transporte de cabotagem, devido à rigidez da legislação brasileira, não tem muita expressão e seu custo é notadamente mais alto. Um deslocamento do Recife até o Norte é praticamente o custo de uma transferência de longa distância de Recife até Xangai (China).

Logística da Exportação de Grãos (Fonte: Pixabay/Reprodução)

Construindo meios para o futuro

Não há dúvidas de que os investimentos na estrutura logística surtiriam efeitos muito positivos, e o Brasil poderia se tornar a maior referência em produção e exportação agrícola. As aplicações em soluções de transporte mais modernos, menos poluentes e de baixo custo são pontos atrativos que geram retorno além dos números.

Estima-se que até 2031 o Brasil teria que arrecadar cerca de R$ 423,8 bilhões para ter uma infraestrutura compatível com seu potencial exportador. Seria um investimento com uma taxa de retorno de curto prazo para grandes avanços na área agrícola.

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Fonte: Estadão, CNA Brasil, Grupo CCR.