Estoque de suco de laranja brasileiro cairá mais de 40% em 2022

13 de outubro de 2021 3 mins. de leitura
Uma das culturas do agronegócio mais afetadas pelo clima no último ano, a produção de laranja deve ter forte queda para o próximo ciclo

Conheça o mais relevante evento sobre agronegócio do País

Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Sucos Cítricos (CitrusBR) publicou novo comunicado ao mercado referente às previsões dos estoques para junho de 2022. A estimativa é de que o estoque de suco de laranja tenha uma redução de 40% a 46% em relação ao registrado em 2021 — ano em que a produção já foi 33% menor do que o mesmo mês de 2020.

Segundo o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a expectativa é que o estoque do ano que vem seja de um volume entre 170 mil e 190 mil toneladas de Suco de Laranja Concentrado Congelado (FCOJ, na sigla em inglês).  Em 30 de junho deste ano foram registradas 316,9 mil toneladas de suco. Netto confirma que as alterações climáticas ocorridas no fim do ano passado e no começo deste ano — com altas temperaturas, depois longos períodos de estiagem e até geadas — foram responsáveis pela queda da produção.

Cinturão citrícola foi uma das áreas mais afetadas pelo clima atípico de 2021. (Fonte: Engin Akyurt/Pexels/Reprodução)
Cinturão citrícola foi uma das áreas mais afetadas pelo clima atípico de 2021. (Fonte: Engin Akyurt/Pexels/Reprodução)

Clima atípico impacta produção de laranja

A alteração climática ocorreu, em grande parte, devido ao La Niña, um fenômeno natural que acontece pela variação de temperaturas no Oceano Pacífico e altera os regimes de chuva e a temperatura em diversas partes do mundo. No Brasil, o fenômeno causa a diminuição das chuvas na Região Sul e central (parte da Região Sudeste e parte da Centro-Oeste) e o aumento das chuvas na Região Norte e Nordeste. Além das laranjas, várias culturas importantes do agronegócio foram afetadas, como o café, milho e soja.

Cinturão citrícola sofre com o clima  

Um dos principais problemas foi que a região chamada cinturão citrícola, que abriga alguns dos maiores produtores de laranja do Brasil, foi uma das mais afetadas pela mudança no clima. Estima-se que a região, que abrange os estados de São Paulo e Minas Gerais, tenha entre 10 milhões e 15 milhões de pomares afetados pelo clima.

As geadas que aconteceram na região não causam apenas a perda de frutas, mas também afetaram as árvores: algumas continuam produzindo frutas de menor qualidade (menor calibre, menor doçura, maior secura e cristalização do interior), enquanto outras precisam de cuidados especiais para pegar a nova floração. Por isso toda a safra de 2022 deverá ser afetada.

Leia também:

Qual é a previsão do milho para a safra 2021/2022?

4 dicas práticas de como ajudar a salvar a Amazônia

Quais são os tipos de laranja e regiões produtoras no Brasil?

  Demanda externa de suco de laranja deve permanecer estável. (Fonte: Jéshoots/Pexels/Reprodução)
Demanda externa de suco de laranja deve permanecer estável. (Fonte: Jéshoots/Pexels/Reprodução)

Demanda de mercado por suco de laranja

A expectativa é de que a demanda interna da fruta seja na ordem de 40 milhões de caixas. A demanda externa por suco de laranja também deve se manter estável, na ordem de 1 milhão de toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Fonte: CitrusBR, Summit Agro.

Este conteúdo foi útil para você?

157640cookie-checkEstoque de suco de laranja brasileiro cairá mais de 40% em 2022

Canal Agro