Cana-de-açúcar: etanol e açúcar devem fechar safra com bons preços

5 de novembro de 2020 3 mins. de leitura
Contrariando as previsões do início da safra em abril, os preços dos produtos sucroalcooleiros subiram entre 17% e 42% até outubro

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Os produtos vinculados à cana-de-açúcar tiveram valorização ao longo da atual safra, que está perto do fim. O resultado contrariou as previsões pessimistas do início da colheita, que tinham como base a queda de demanda global por açúcar e etanol provocada pela pandemia. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o açúcar teve alta de 17% de abril a outubro deste ano, enquanto o etanol foi valorizado em 42% no período.

A expectativa de que a produção de cana fosse direcionada mais para o combustível do que para o alimento também não foi confirmada. O Brasil deve bater recorde de fabricação de açúcar e se tornar o maior produtor mundial por dois anos seguidos, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O mercado global para a cana deve continuar próximo do equilíbrio na safra 2020/2021 em função de uma expectativa de volta do consumo de açúcar aos níveis de antes da pandemia e do aumento de demanda por combustíveis devido ao afrouxamento das medidas de quarentena, de acordo com o relatório Agro Mensal do Itaú BBA.

Estimativa para a safra de cana-de-açúcar

Brasil bateu recorde de produção de açúcar com aumento de demanda nos mercados doméstico e internacional. (Fonte: Shutterstock)
Brasil bateu recorde de produção de açúcar com aumento de demanda nos mercados doméstico e internacional. (Fonte: Shutterstock)

A Conab estima que a safra 2020/2021 de cana-de-açúcar, que termina em novembro, deve ter leve retração de 0,1% em relação à anterior, com colheita de 642,1 milhões de toneladas. A Região Sudeste, principal produtora do País, deve ter redução de 0,6% no volume produzido, enquanto o Nordeste pode aumentar 4,1% devido ao bom clima.

A produção de etanol a partir da cana deve alcançar 27,9 bilhões de litros, o que significa redução de 18,1% em comparação à safra recorde anterior. O segmento foi bastante impactado pelo isolamento domiciliar e pelas fortes reduções do preço internacional do petróleo. Dessa forma, a safra de cana foi mais direcionada para a fabricação de açúcar. A Conab estima que a produção deverá alcançar 39,3 milhões de toneladas, o que representa aumento de 32% em comparação à safra anterior. O Brasil tem intensificado as exportações do produto e embarcou 3,5 milhões de toneladas apenas em julho.

Cenário global

Etanol foi prejudicado pela baixa dos preços de petróleo causada pela pandemia. (Fonte: Shutterstock)
Etanol foi prejudicado pela baixa dos preços de petróleo causada pela pandemia. (Fonte: Shutterstock)

A safra global 2020/2021 foi iniciada em outubro e apresenta boas perspectivas para a cana brasileira. A redução de área tailandesa e uma possível menor safra indiana minimizarão o crescimento da oferta global do açúcar. A Índia está sofrendo com chuvas de monções acima da média, o que pode prejudicar as plantações no país. Já a Tailândia, segundo maior exportador do adoçante, iniciou a safra com uma área menor em função do aumento de 12% na produção de mandioca devido à sua maior atratividade em relação à cana-de-açúcar.

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Fonte: Agro Mensal Itaú BBA, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Agrolink e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).