Boi gordo: mercado futuro busca recordes para 2021

29 de março de 2021 4 mins. de leitura
Com cotação da arroba do boi gordo estável para o começo do ano, produtores podem aproveitar o momento para se proteger do risco de perdas

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Os pecuaristas brasileiros devem se manter atentos ao comportamento do mercado futuro de boi gordo para 2021. Com as altas recentes nas cotações da arroba, os produtores podem aproveitar o momento para reduzir os riscos de perdas com operações futuras de venda da matéria-prima.

Com base nos valores praticados em São Paulo, o indicador de boi gordo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) tem mostrado uma tendência de mercado estável para março. No fim de fevereiro, os números ficaram praticamente inalterados, e o vencimento para março passou de R$ 299,95 para R$ 302,85 por arroba — valor recorde desde que passou a ser negociado.

Expectativas para o mercado futuro

Pecuaristas podem aproveitar contratos no mercado futuro para se proteger de perdas. (Fonte: Sergio Pirez/Shutterstock)
Pecuaristas podem aproveitar contratos no mercado futuro para se proteger de perdas. (Fonte: Sergio Pirez/Shutterstock)

Se por um lado a oferta de animais terminados tem sido curta e os produtores têm buscado melhorar a capacidade de suporte das pastagens, por outro, a flutuação nos índices de consumo interno e nas exportações de carne bovina explicam o cenário atual do preço da arroba apresentado no comércio brasileiro.

De acordo com o relatório feito pela Scot Consultoria, os bovinos que atendem o mercado interno estão sendo negociados a valores acima dos R$ 300/arroba, preço bruto e à vista. Porém, a tendência é que o mercado entre em uma queda leve nos próximos meses.

Com mercado físico já consolidado e a estimativa de preços futuros definida, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apresentou um gráfico para avaliar o mercado de boi gordo no Mato Grosso. Nele, é possível ver que os contratos de março até junho de 2021 devem chegar na marca de R$ 265,30/arroba. Porém, a situação se inverte para o segundo semestre, e o preço da arroba deve atingir R$ 281,09 a partir de julho — 45,39% maior do que o mercado físico do mesmo período no ano anterior.

Frigoríficos atravancados na pandemia

Frigoríficos têm atuado com capacidade limitada na pandemia. (Fonte: Mehmet Cetin/Shutterstock)
Frigoríficos têm atuado com capacidade limitada na pandemia. (Fonte: Mehmet Cetin/Shutterstock)

Um problema para a oferta de gado terminado tem sido as restrições aos frigoríficos durante a pandemia, com os abates ainda mais retraídos em 2020. Segundo o Imea, a escala de abates no Mato Grosso deve permanecer entre quatro e cinco dias em março, sendo que no ano anterior esteve em torno de sete dias.

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Além disso, o instituto também calcula que os frigoríficos mato-grossenses só têm utilizado 45% da sua capacidade, sendo o quarto recuo mensal consecutivo. A escala de abates é um índice que aponta o número de dias que os frigoríficos brasileiros contam com animais comprados para manter suas operações, servindo como um demonstrativo de oferta. 

No Mato Grosso do Sul, o impacto da pandemia no setor fez o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados solicitar ao Ministério da Agricultura autorização para importar gado do Paraguai. Assim, visando reduzir a ociosidade das plantas, a arroba bovina paraguaia tem sido vendida a US$ 46 contra US$ 56 no Brasil.

Exportações de carne bovina

Preço final da carne bovina deve permanecer alto para os brasileiros. (Fonte: Aleksandar Karanov/Shutterstock)
Preço final da carne bovina deve permanecer alto para os brasileiros. (Fonte: Aleksandar Karanov/Shutterstock)

Segundo o relatório mensal produzido pelo Itaú BBA, o Brasil embarcou 102 mil toneladas de carne bovina em fevereiro — 7,6% inferior ao volume exportado no mesmo mês de 2020. Por mais que as parciais semanais tenham melhorado na segunda quinzena do mês, o primeiro bimestre de 2021 sofreu queda de 7,9% nas exportações e com preços 2% menores no comparativo.

Apesar da baixa oferta e do momento conturbado, a expectativa para o restante do ano é de boas vendas para a China. Entretanto, a escalada de preços de aves e suínos deve manter baixa a competitividade da carne bovina no mercado interno e impactar diretamente o consumidor brasileiro.

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Fonte: Itaú BBA, Portal DBO. 

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