Trigo: como será o mercado do grão em 2021?

9 de março de 2021 3 mins. de leitura
Qualidade do produto no mercado brasileiro, dólar, preço externo e políticas comerciais argentinas podem afetar o trigo neste ano

Comércio exterior

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Os números da produção brasileira de trigo indicam crescimento em 2021, mas a população pode esperar a manutenção de preços altos de produtos derivados do grão ao longo do primeiro semestre. Fatores como a qualidade da safra nacional, a variação do dólar e as políticas comerciais argentinas devem continuar a pressionar o valor do cereal.

De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área colhida aumentará 2,1% em 2021 quando comparada ao ano anterior. A produtividade será elevada em 1,1%; com isso, a produção total subirá 3,3%. Dessa forma, existe possibilidade de queda do valor do produto com a proximidade da colheita no segundo semestre do ano.

O mercado internacional ainda aguarda o resultado do degelo de março no Hemisfério Norte para postular valores.

Alta recorde do trigo

Colheita menor no Rio Grande do Sul e no Paraná provocou alta do valor do trigo no mercado nacional. (Fonte: Shutterstock/Aleksandr Rybalko/Reprodução)
Colheita menor no Rio Grande do Sul e no Paraná provocou alta do valor do trigo no mercado nacional. (Fonte: Shutterstock/Aleksandr Rybalko/Reprodução)

Um conjunto de fatores, como alta de demanda e baixa produção, fez que o preço do trigo nacional alcançasse patamares recordes em 2020. Além disso, o aumento anual de quase 30% no dólar incrementou consideravelmente o valor do cereal importado, puxando a cotação nacional do produto.

Os estoques iniciais do grão no ano passado já estavam extremamente baixos, e a escassez dele foi intensificada pela quebra de safra no Rio Grande do Sul e no Paraná. Com as famílias ficando mais em casa por conta da pandemia, o consumo de farinha em pacote, macarrão e biscoitos aumentou.

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Mercado em janeiro

Greves nos portos argentinos contribuíram para a alta do cereal brasileiro. (Fonte: Shutterstock/Mark Anthony Ray/Reprodução)
Greves nos portos argentinos contribuíram para a alta do cereal brasileiro. (Fonte: Shutterstock/Mark Anthony Ray/Reprodução)

A alta deve continuar sendo observada nos mercados porque durante o período de entressafra, com a oferta de trigo de qualidade restrita, os vendedores preferiram segurar o produtor à espera de novos aumentos. Além disso, a baixa disponibilidade do grão e o ritmo lento dos negócios no mercado brasileiro levaram as indústrias a intensificar as importações do cereal, conforme avaliação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Em janeiro, a greve nos portos da Argentina, que atrasou um mês a entrega de 308 mil toneladas de trigo, aumentou a demanda do produto brasileiro no mercado internacional, o que ocasionou uma nova alta. O preço médio do trigo negociado entre as empresas foi de R$ 1.409,30 por tonelada no Paraná, um avanço de 7,3% frente ao de dezembro de 2020 e de expressivos 55% ante ao de janeiro de 2020 em termos nominais.

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Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

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