Soja deve ter produção recorde em 2021

2 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Expectativa ocorre em razão da valorização do produto pelo consumo interno e, sobretudo, pela demanda internacional

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Cem milhões de toneladas: essa é a expectativa para a safra brasileira de soja em 2021, segundo André Pessoa, diretor da Agroconsult. Caso isso se confirme, será a primeira vez que a produção desse grão no País atinge a casa de uma centena de milhões de toneladas. 

Esse recorde é “puxado” pela expectativa em relação ao consumo da soja. Conheça mais sobre esse cenário, que pode levar muitos produtores a optarem por essa cultura no próximo ano.

Consumo interno

Empobrecimento do solo pelas queimadas pode estimular a pecuária extensiva no cinturão oeste do Brasil e, com isso, a demanda por soja. (Fonte: Shutterstock)
Empobrecimento do solo pelas queimadas pode estimular a pecuária extensiva no cinturão oeste do Brasil e, com isso, a demanda por soja. (Fonte: Shutterstock)

Empobrecimento do solo pelas queimadas pode estimular a pecuária extensiva no cinturão oeste do Brasil e, com isso, a demanda por soja. (Fonte: Shutterstock)

Segundo André Donashi, presidente da Aprosoja (MS), o consumo interno é um dos propulsores da produção de soja. Há uma série de projetos em desenvolvimento ligados à suinocultura e à piscicultura no Mato Grosso do Sul que vão demandar mais dessa oleaginosa, comum na ração animal.

Esse é um retrato que pode representar o avanço da demanda também em outros locais do País. Em todo o cinturão oeste, que liga a Amazônia ao Pantanal, as queimadas têm comprometido biomas conservados, bem como lavouras, cujo replantio ficará prejudicado em razão da deterioração do solo causada pelo fogo. Assim, é provável que a pecuária passe a ocupar mais espaço nessas regiões e isso estimule a produção de soja.

Ainda, espera-se que ao longo do próximo ano a crise financeira causada pela pandemia produza efeitos menos severos do que os observados neste ano, em que a taxa de desemprego impactou significativamente o poder de compra das famílias e desaqueceu a economia.

Exportação

China deseja ser menos dependente da importação de carne, o que estimula a importação de soja para a manutenção da pecuária local. (Fonte: Shutterstock)
China deseja ser menos dependente da importação de carne, o que estimula a importação de soja para a manutenção da pecuária local. (Fonte: Shutterstock)

China deseja ser menos dependente da importação de carne, o que estimula a importação de soja para a manutenção da pecuária local. (Fonte: Shutterstock)

Mas a principal razão que justifica a alta expectativa em relação à soja é a exportação: 80% da produção brasileira deve ser direcionada a outros países. 

Essa é uma tendência que se mantém sobretudo com a alta do dólar. Os custos de produção — sementes, fertilizantes e defensivos, por exemplo — são fixados pela moeda estadunidense, o que estimula o produtor brasileiro a também procurar um valor mais atraente no mercado internacional.

Ao que tudo indica, a China continuará sendo o grande destino da soja brasileira. Embora os Estados Unidos também devam ter uma safra excepcional, a guerra comercial entre esse país e a China pode tornar a produção do Brasil mais atraente à potência asiática, especialmente em razão da eleição para a Casa Branca. 

Esse cenário de incerteza tem feito a China apostar em uma maior autossuficiência e depender menos de contratos comerciais com os Estados Unidos. Ao menos até novembro, quando os estadunidenses conhecerão seu novo presidente, o Brasil pode ser beneficiado com isso — são bilhões de dólares em acordos bilaterais que podem não se manter.

Esses fenômenos fazem com que a pecuária esteja no centro da agenda econômica chinesa, já recuperada do impacto da covid-19 e também da febre africana, que tem afetado o rebanho suíno do país desde agosto de 2018. 

Por isso, a demanda por soja brasileira pode aumentar. Ao mesmo tempo, isso gera um alerta aos pecuaristas brasileiros, que podem exportar menos carne em 2021. 

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Fonte: Summit Agro, Notícias Agrícolas.