Laranja: como o mercado nos EUA impacta os produtores brasileiros?

15 de julho de 2021 4 mins. de leitura
A última estimativa da USDA com relação à safra de laranja 2020/21 eleva produção da Flórida em 1 milhão de caixas frente ao levantamento anterior

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de produção de laranja da Flórida em 1 milhão de caixas de 40,8 kg para a safra 2020/21. Com isso, a produção total no estado americano deve alcançar 52,7 milhões de caixas, um resultado 21,8% menor do que a safra anterior.

Com a nova previsão, a Flórida volta a liderar a produção de laranja nos Estados Unidos. O protagonismo é resultado do incentivo do governo local, que ofereceu para os citricultores um estímulo de US$ 27,7 milhões – destes, US$ 17 milhões foram destinados à comercialização.

A produção total de laranja dos Estados Unidos deve ficar em 105,75 milhões de caixas na atual temporada, de acordo com a última estimativa da USDA. O volume representa um recuo de quase 14% frente à safra 2019/20, quando foram colhidas 112,84 milhões de caixas da fruta, e 17% menor do que a temporada 2018/19, que registrou 126,55 milhões de caixas produzidas.

Produção de laranja no Brasil

Laranjais paulistas enfrentaram clima adverso na safra, o que resultou em recuo na produção. (Fonte: Shutterstock/jaboticaba images/Reprodução)
Laranjais paulistas enfrentaram clima adverso na safra, o que resultou em recuo na produção. (Fonte: Shutterstock/jaboticaba images/Reprodução)

O USDA prevê que a produção brasileira de laranja para a safra 2020/21 seja de 390,8 milhões de caixas de 40,8 kg. As exportações brasileiras totais estão estimadas em 1,050 milhão de toneladas, um pequeno aumento de 18 mil toneladas em relação a 2019/20.

O cinturão que engloba São Paulo e parte de Minas Gerais continua sendo a principal região citricultora do Brasil, logo deve colher 294,2 milhões de caixas, o que representa três de cada quatro caixas produzidas no País. 

A região citrícola enfrentou extremos climáticos opostos no início desta safra. Na Região Sul, que abarca as cidades de Itapetininga, Avaré e Duartina, houve um bom volume de chuvas em junho e agosto de 2020, o que ajudou a desencadear uma primeira floração. Entretanto, um longo período de seca prevaleceu nas demais regiões cítricas até outubro, atrasando a floração para novembro.

O comportamento do tempo inconsistente com secas prolongadas e altas temperaturas durante a floração levou a uma terceira floração em muitos pomares em dezembro de 2020 e janeiro de 2021, além de uma quarta floração em fevereiro de 2021.

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Tendência de preços

A demanda por suco de laranja tem caído nos Estados Unidos, maior consumidor mundial. (Fonte: Shutterstock/DuxX/Reprodução)
A demanda por suco de laranja tem caído nos Estados Unidos, maior consumidor mundial. (Fonte: Shutterstock/DuxX/Reprodução)

Enquanto o Brasil é o maior produtor global de laranja e deve ser responsável por cerca de 75% das exportações mundiais na safra 20/21, segundo o USDA, os Estados Unidos são os maiores consumidores do suco da fruta no mundo. Com isso, qualquer notícia em relação à citricultura americana tem um impacto direto no produto brasileiro.

A queda na produção nos Estados Unidos e no Brasil, entre outros fatores, indicam uma tendência de valorização no mercado de laranja. O acréscimo de 1 milhão de caixas na produção americana, por si só, não tem uma grande influência no mercado brasileiro. Entretanto, houve um forte recuo de 16% nas vendas internas americanas de suco da fruta, conforme informações da Nielsen. O declínio no consumo também caiu nos primeiros quatro meses de 2021.

Com isso, o mês de junho começou como os estoques globais de laranja mais robustos. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) estima um estoque de 310,7 mil toneladas na safra 20/21, um volume 14% acima do estimado em fevereiro. Nesse contexto, os preços do mercado de citros tendem a cair em um curto prazo.

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Fonte: United States Department of Agriculture (USDA).

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