Exportação de carne: Brasil e China fazem acordo bilionário

13 de março de 2020 4 mins. de leitura
A epidemia do Coronavírus na China pode disparar a demanda pelo alimento

A JBS e o WH Group anunciaram a assinatura de um acordo para a exportação de carnes bovina, suína e de aves ao mercado da China. Segundo o comunicado da JBS, as empresas vão fornecer diversos produtos em um negócio que pode movimentar até R$ 3 bilhões por ano, o que representa grande benefício para o comércio exterior brasileiro.

Para a JBS, isso vai além de aumentar a participação dos produtos e das marcas da empresa no mercado da China. O objetivo é acessar diretamente o consumidor por meio de mais de 60 mil pontos de venda exclusivos do WH Group no mercado chinês, o que possibilitará a evolução da cadeia de suprimentos da empresa.

A JBS, dona de marcas como Seara e Friboi, é a maior empresa de proteína animal do mundo. Em dezembro do ano passado, ela anunciou um investimento de US$ 1,9 bilhão para expandir mais no Brasil e inovar  em produtos para garantir o aumento da sua participação no mercado.

A exportação brasileira de carne bovina, em janeiro de 2020, foi de 135.375 toneladas, o que indica um crescimento de 9,84% em relação a janeiro de 2019. Somente para a China foram 53,2 mil toneladas, o que representa um aumento de 126% em relação ao mesmo período em 2019. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC).

A crise do Coronavírus

Até a 2.ª quinzena de fevereiro, o número de mortos pelo Coronavírus chegou a 1770, com o total de 70.548 casos confirmados na China. A disseminação do vírus abalou o comércio exterior chinês e provocou insegurança nos mercados ao redor do mundo.

De acordo com informações da Reuters, a JBS e a BRF, sua concorrente do mercado de proteínas, avaliam que a propagação da doença vai aumentar a demanda chinesa pelos produtos. As empresas acreditam que, por motivos de segurança alimentar, as vendas de carne congelada ou processada para a China podem crescer.

“Lembre-se de que o vírus supostamente teve início em um mercado na China, onde eram vendidos animais vivos” afirmou o presidente da BRF, Lorival Luz, em um evento coberto pela Reuters, em São Paulo.

Fonte: Shutterstock 

Segundo a Reuters, o presidente do JBS, Gilberto Tomanzoni, afirmou que a China aumentou as importações de carne na epidemia de Sars nos anos 2000. Recentemente, um surto de peste suína africana abateu o rebanho de porcos na China, o que fez as importações de carne brasileira dispararem.

É importante mencionar que, no caso do Coronavírus, a epidemia não atinge os animais. O que acontece é que, devido ao bloqueio de estradas na tentativa de conter a doença, o transporte de alimentos para o gado e as aves de criadouro se torna difícil, o que atinge toda a cadeia de produção.

As renegociações dos chineses

No entanto, a pressão agressiva dos compradores chineses por preços baixos podem prejudicar as vendas no curto prazo, com a redução dos lucros dos exportadores brasileiros. Esse foi um dos fatores que ocasionou o aumento considerável do preço da carne em 2019, no Brasil.

Tomanzoni afirmou que, após algumas empresas terem concordado em reduzir os preços (em descontos que variaram de mil dólares a 2,5 mil dólares por tonelada), as renegociações podem ser prejudiciais às vendas.

De acordo com a Reuters, a JBS não confirmou se realizou negociações para reduzir os preços, mas afirmou que pretende construir um relacionamento de longo prazo com a China.

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Fonte: Reuters

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