Impacto do acordo China-Brasil no preço da carne bovina no País

Com a alta demanda para exportação, o preço da carne bovina tem causado grande susto nos consumidores brasileiros

Impacto do acordo China-Brasil no preço da carne bovina no País
16/02/2020 • 3 min. de leitura

O novo posicionamento do governo chinês em relação à importação de carne bovina brasileira tem causado grandes impactos no mercado interno do País. A situação crítica da produção de carne suína chinesa fez com que a demanda por proteína animal aumentasse, forçando uma mudança nas políticas de importação e novas perspectivas entre China e Brasil.

Em junho de 2019, a China suspendeu a compra de carne bovina brasileira, decisão que foi revertida diante da necessidade de suprimentos que se instalou no país. Decorrente desse processo, diversos novos frigoríficos brasileiros foram autorizados a realizar o fornecimento, fortalecendo as relações internacionais de uma maneira que tem pesado no bolso do consumidor.

Crise no setor de suínos da China

A China tem enfrentado uma situação delicada em seus rebanhos de suínos desde agosto de 2018, quando a peste suína africana foi registrada na região. Dos primeiros casos registrados até o fim do primeiro semestre de 2019, calcula-se que o prejuízo causado pela doença tenha acabado com cerca de 35% dos rebanhos do País.

Por ser uma doença viral muito agressiva, as chances de um animal contaminado se recuperar são praticamente nulas. Sendo assim, de acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), é necessário sacrificar os animais infectados. Estima-se que a crise causada por essa doença nos rebanhos chineses tenha levado ao sacrifício de até 200 milhões de suínos. Com isso, a previsão para que o país recupere a produção de antes gira em torno de cinco anos. Essa crise obrigou o governo chinês a estar mais aberto para novas negociações, com espaço para encontros decisivos e grandes impactos entre China e Brasil.

(Fonte: Pixabay)

O acordo entre China e Brasil

Na busca por soluções e acordos, o Brasil participou de um encontro com Pan Chenjun, CEO do Bank of China, e outros executivos. Essa estratégia de comunicação rendeu ao Brasil oportunidades para intensificar sua exportação para o país, que agora precisa suprir sua oferta de proteína animal para os consumidores.

A alta produção de carne no Brasil é a única capaz de suprir o mercado chinês. Sendo assim, o governo brasileiro firmou a resolução China-Brasil, com acordos sanitários e liberação de novos frigoríficos para aumentar e fortalecer a exportação. O mercado chinês tem demandado diversos tipos de cortes, além de carnes termoprocessadas, causando um desequilíbrio temporário entre oferta e demanda e elevando os preços no mercado interno brasileiro.

A lei da oferta e da demanda

Com as novas oportunidades de exportação dadas pelo acordo entre China e Brasil, os produtores e frigoríficos se beneficiaram, podendo vender seu produto para um maior número de clientes e a um valor mais alto. Quando comparadas com o mesmo período do ano anterior, as exportações subiram cerca de 62%.

Com isso, tanto os preços no atacado quanto o valor do boi gordo subiram cerca de 30% — enquanto os fornecedores comemoram esse cenário, os consumidores têm buscado meios de substituir a proteína bovina do dia a dia até a normalização dos preços.

(Fonte: Pixabay)

Previsões para a baixa do preço da carne no País

A boa relação entre China e Brasil e os altos níveis de exportação têm colaborado para manter os preços elevados e sem quedas. No entanto, a tendência é que esse cenário se normalize com a recuperação do mercado interno chinês e de seus rebanhos afetados pela peste suína. Além disso, caso os Estados Unidos decidam fechar um acordo comercial com a China, eles também passarão a exportar carne bovina para o País, criando maior competitividade e diminuindo as demandas brasileiras.

Enquanto isso não acontece, o aumento dos fornecedores brasileiros também pode ajudar a equilibrar o mercado. Afinal, o aumento da oferta tende a fazer com que os preços diminuam para ficarem mais competitivos.

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Fontes: Mapa, Estadão.