Café: abastecimento permanece normal na crise do novo coronavírus

Produtores estão tomando medidas para proteger os trabalhadores e manter a colheita de café como previsto

Café: abastecimento permanece normal na crise do novo coronavírus
15/04/2020 • 3 min. de leitura

Uma das principais preocupações de autoridades e cidadãos brasileiros, desde a declaração de pandemia de coronavírus em março, é com um possível desabastecimento de alimentos. Contudo, se depender dos cafeicultores, a bebida não faltará na mesa dos brasileiros.

Segundo representantes da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), a produção segue normal. Os analistas apontam que, com as medidas de isolamento social em vigor na maioria das cidades brasileiras, o consumo em bares e restaurantes caiu drasticamente. Porém, essa queda é compensada com a compra do café em supermercados. De acordo com dados divulgados pela ABIC, o café está presente em 97% dos lares brasileiros, principalmente na variação torrada e moída.

Em compensação, o café solúvel pode apresentar queda nas vendas. Isso porque ele é uma opção para o café da manhã, quando as pessoas estão com pressa para ir trabalhar. Com o isolamento, isso deve acontecer menos na visão dos representantes da ABIC.

Consumo diminui nas cafeterias, mas aumenta nos lares
(Fonte: Pexels)

Cuidados para proteger os trabalhadores durante a colheita do café

A pandemia de coronavírus colocou em dúvida a colheita da safra de café, prevista para acontecer em meados de abril de 2020. Contudo, ela deve ocorrer normalmente, com os cuidados devidos para evitar a contaminação, tanto dos trabalhadores como do próprio café.

Nesse sentido, diversas entidades ligadas ao setor produtivo lançaram cartilhas com orientações de proteção, como a Colheita do café — orientações para a prevenção do novo coronavírus publicada no site do portal Consórcio Pesquisa Café, liderado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Entre as orientações, está o distanciamento entre os trabalhadores, de pelo menos um metro e meio; principalmente nos ônibus de transporte até a lavoura, nos alojamentos e em momentos de descanso. Além disso, as empresas devem distribuir equipamentos de proteção, como máscaras, e garantir que não haja compartilhamento de peneiras, lonas e outros instrumentos de trabalho. As entidades também salientam a importância de higienizar todos esses itens, bem como os veículos de transporte.

Já na indústria, os representantes da ABIC afirmam que a maioria dos processos é automatizada, havendo menos contato físico e risco de contaminação. Dessa maneira, a fabricação deve continuar normalmente, assim como o abastecimento nos pontos de venda.

Colheita deve acontecer em abril, com cuidados para evitar contaminação
(Fonte: Pexels)

Relatório aponta mudanças no mercado externo

As exportações de café podem ser impactadas negativamente pela pandemia da covid-19, pelo que apontam os boletins semanais divulgados pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A diminuição do consumo em bares, cafeterias e restaurantes — causada pelas medidas de isolamento social — deverá baixar a demanda pelo café brasileiro em alguns mercados europeus, como a Grécia e o Reino Unido. Contudo, esse ainda é um movimento que pode não se concretizar.

A princípio, a maior preocupação dos cafeicultores é manter a colheita em abril, como previsto. Isso é muito importante, uma vez que o Brasil é o maior produtor mundial de café — posição que mantém há mais de 150 anos —, sendo responsável por um terço do volume colhido ao redor do globo.

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Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Governo do Estado do Espírito Santo, Associação Brasileira das Indústrias de Café (ABIC) e Embrapa.