Conheça o evento

Como a epidemia de coronavírus afetou o preço do café

Com milhares de cafeterias fechadas na China, café registra queda após o início da epidemia

Como a epidemia de coronavírus afetou o preço do café
27/03/2020 • 3 min. de leitura

Quando as autoridades chinesas confirmaram os primeiros casos de coronavírus, em dezembro do ano passado, a saca de 60 quilos de café arábica era cotada a R$ 548,41 (US$ 136,51), enquanto o contrato futuro era negociado em Nova York a 119,20 cents/lbp. Em 4 de fevereiro, o Covid-19 já tinha se espalhado para além da Ásia, atingindo mais de 23 países, e o preço do café atingiu seu menor valor do ano, com cotação de R$ 452,94 a saca (US$ 106,40), e o valor do contrato futuro despencou para 98,15 cents/lbp.

A queda de mais de 20% nos preços em dólar assustou os cafeicultores, ainda que em real tenham tido desvalorização menor, de 17%, em decorrência da valorização da moeda norte-americana frente à brasileira. No período, a China fechou mais de duas mil lojas da Starbucks no país, além de outras instalações da grande cadeia nacional Luckin, na tentativa de conter a propagação do vírus. Ainda que o país asiático represente apenas 2% da demanda mundial de café, as suas importações vêm aumentando exponencialmente nos últimos anos, e qualquer paralisação no mercado de lá afeta o mercado mundial.

(Fonte: happycreator / Shutterstock.com)

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a normalização do clima, com o retorno das chuvas nas regiões cafeeiras do Brasil e a entrada de produtos de origem colombiana e de países da América Central, contribuiu para o arrefecimento das cotações.

Safra recorde

A Conab estima que o Brasil deverá colher até 62 milhões de sacas de café em 2020, podendo igualar ou até superar a safra recorde de 2018. A receita bruta total é estimada em R$ 25,5 bilhões. O acréscimo de área em produção, bem como o indicativo de produtividade média superior a 2019, é fator importante para essa expectativa otimista. O anúncio da estimativa também contribuiu para parte da queda do valor do grão, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O café arábica representa cerca de 75% da produção total. Para a nova safra, que é de ciclo de bienalidade positiva para a maior parte das regiões produtoras, estima-se que sejam colhidos até 45,98 milhões de sacas, o que representa aumento de 34,1% em comparação com a temporada anterior.

(Fonte: Shutterstock)

A maior parte dessa produção será exportada. Entre fevereiro de 2019 e janeiro de 2020, o Brasil exportou 40 milhões de sacas, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café no Brasil (Cecafe). Somente do tipo arábica, foram enviados 32 milhões de sacas, por isso o preço no mercado internacional e a valorização do dólar impactam diretamente na cotação do grão.

Café em recuperação

Após queda em janeiro e no início de fevereiro, o preço do café arábica voltou a subir, atrelado aos novos avanços do dólar frente ao real e às cotações externas do grão. A análise é do Cepea, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) na Universidade de São Paulo (USP).

O valor alcançou o mesmo patamar do fim do ano em reais, sendo cotado a R$ 548,53 em 3 de março (US$ 106,40). No mercado futuro da Bolsa de Nova York, a reversão na tendência de preços também foi sentida. Os contratos que devem vencer em maio, quando a colheita no Brasil começará a ganhar força, fecharam o dia cotados a 121,05 cents/lbp, indicando pequena valorização em menos de 30 dias no mercado futuro.

Essa retomada de preços deve favorecer não só a cultura cafeicultora mas também os resultados do setor agropecuário brasileiro. Para a Confederação da Agricultura e Agropecuária do Brasil (CNA), as culturas de café, milho e soja devem ser as principais responsáveis pelo crescimento do setor agropecuário em 2020, quando o Valor Bruto da Produção (VBP) deve ser de R$ 436 bilhões. Com relação a 2019, a CNA estima que o café arábica deve ter crescimento de 45,3% no VBP, alcançando R$ 22 bilhões contra R$ 15 bilhões no ano anterior.

Se interessou pelo assunto? Aprenda mais com especialistas da área no Summit Agro. Enquanto isso, acompanhe as notícias mais relevantes do setor pelo blog. Para saber mais, é só clicar aqui.

Fonte: Cepea, ecafe, CNA.