Startups mapeiam fazendas para impulsionar cultivo de café

9 de abril de 2020 4 mins. de leitura
Tecnologia entra no campo para fazer o mercado de café se tornar mais moderno, eficiente e lucrativo

O café é essencial para a economia nacional, tanto que é um dos cincos produtos com maior faturamento entre todas as lavouras brasileiras (os outros são soja, milho, cana-de-açúcar e algodão). Segundo dados do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, a previsão de receita bruta do produto para 2020 é de R$ 25 bilhões, o que representa aumento de 25% em relação ao ano anterior. Para garantir que a produção de café continue forte, apostar na inovação tecnológica pode ser uma boa opção para aumentar a qualidade e diminuir o gasto com insumos.  

O uso de produtos químicos para combater pragas e ervas daninhas, por exemplo, é oneroso em diversos aspectos. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o uso de agrotóxicos é nocivo para os consumidores e, principalmente, para quem os aplica. De acordo com a entidade, a exposição aos produtos pode trazer sérios riscos à saúde, atingindo tanto quem faz o uso direto, por meio da pulverização ou do transporte, quanto quem faz o uso indireto, consumindo-os nos alimentos.

Nessa esteira, algumas startups têm apresentado soluções para melhorar o diagnóstico e promover o combate efetivo e preciso às doenças que infestam as plantações. Assim, análises que poderiam levar dias para serem feitas ganham agilidade e podem ser realizadas no próprio local, sem ser preciso retirar o grão (ou a planta) e levar até um laboratório.

(Fonte: Shutterstock)

Outro ponto positivo trazido pela adesão da tecnologia é que, com o mapeamento das áreas e das plantações afetadas pelas pragas, é possível criar um banco de dados com muitas informações sobre o produto, garantindo maior controle de qualidade e transparência sobre o processo pelo qual determinado cultivo passou até chegar ao supermercado.

Projeto de aceleração de startups

O Brasil é líder na produção e exportação de café e vê nesse mercado a possibilidade de aumentar seu poderio econômico. Em consonância com isso, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) — com as universidades federais mineiras de Lavras (UFLA) e Viçosa (UFV) — criou o programa Avança Café, para fomentar projetos que visem aprimorar o processo de plantação e cultivo do café, com ideias que tenham força para se tornarem uma startup e trazerem benefícios aos produtores e comerciantes do produto.

Essas soluções conseguem alcançar principalmente os pequenos e os médios produtores, aumentando o seu poder de concorrência e fazendo crescer o cultivo de cafés de qualidade e com maior valor agregado. Um exemplo disso é a startup mineira ScanFito, uma das vencedoras do programa, que faz uso de drones para mapear as áreas de plantação, monitorando continuamente esse espaço e permitindo identificar com mais rapidez a proliferação de pragas. O cafeicultor recebe no celular todas as informações analisadas por computador e pode tomar decisões de maneira ágil e com maior precisão, diminuindo os gastos do negócio.

(Fonte: Shutterstock)

A também mineira QIPixel usa o processo de diagnóstico visual para evitar que o produtor ou o técnico precisem se deslocar até o local para verificar a lavoura. Utilizando tecnologia de realidade virtual e aumentada, a empresa apresenta uma forma de analisar visualmente, de maneira remota, áreas da plantação que podem estar sofrendo com alguma doença.

O primeiro passo é identificar, por meio da análise de mapas obtidos por satélite, zonas que sofreram algum tipo de alteração. Em seguida, são enviados drones para esses locais, que capturam imagens em 360° da área selecionada. Com o agrupamento de dados, é possível ver a plantação de café por vários ângulos e localizar mais facilmente os focos de praga sem precisar ir até lá para verificar, o que agiliza as ações.

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Fonte: Embrapa

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