Como os hábitos de consumo de hortifruti mudaram durante a pandemia?

22 de outubro de 2020 4 mins. de leitura
Entre a preocupação com a saúde, indulgências e mais refeições feitas em casa, consumo de hortifruti oscilou bastante na pandemia

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Os últimos meses foram uma montanha-russa para o setor de hortifruti, como mostram análises realizadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Universidade de São Paulo (Cepea). Logo no início da pandemia, o mercado foi severamente prejudicado pelo fechamento de bares e restaurantes, que são grandes consumidores de frutas e hortaliças frescas. Essa queda, em parte, foi compensada pelo aumento das refeições feitas em casa e compradas via delivery. Mas, desde então, os hábitos de consumo desse tipo de produto pelos brasileiros apresentaram grandes oscilações. 

Setor de hortifruti observou movimentos diferentes ao longo dos meses de isolamento (Fonte: Unsplash)
Setor observou movimentos diferentes ao longo dos meses de isolamento, com momentos de crescimento e queda. (Fonte: Unsplash)

Sobe e desce ao longo da pandemia

Ainda no período inicial de isolamento, o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP realizou uma pesquisa que demonstrou um crescimento no consumo de comida caseira e fresca, possivelmente estimulado pela preocupação com a saúde: 44,6% das pessoas relatou consumir frutas, hortaliças e feijão em maio, contra 40,2% em janeiro e fevereiro. 

Em contrapartida, segundo informações divulgadas pela revista Hortifruti Brasil, do Cepea, a redução das idas ao supermercado fez com que o comércio registrasse uma queda nas vendas de itens mais perecíveis, afetando o setor. Além disso, com a continuidade do isolamento e das privações impostas por ele, muitos brasileiros começaram a deixar a alimentação saudável de lado e passaram a optar por alimentos como doces, lanches e massas. 

Mais recentemente o setor testemunhou uma nova mudança com a abertura gradual de bares e restaurantes, além da perspectiva do retorno às aulas presenciais. A recuperação dos pedidos de food service é importante, em especial para escoar as frutas e hortaliças fora de padrão. 

Sendo assim, as análises não definem uma única tendência para o setor nesses últimos meses. De maneira geral, os 13 itens de hortifruti cujos preços são monitorados pelo Cepea registraram preços ligeiramente superiores àqueles de 2019. Porém, como a oferta não foi maior, os produtores acreditam que eles poderiam ter aumentado ainda mais caso a demanda tivesse realmente crescido. 

Nesse contexto, produtores relataram ao Cepea estar preocupados com um possível aumento da oferta e queda dos preços nos próximos meses. Para permitir que a demanda aumente e a conta feche de forma favorável aos produtores, os analistas indicam que o setor precisa diversificar seus canais de venda, apostando na venda eletrônica e em produtos mais prontos para o consumo.

Produtores apontam que preço pode cair nos próximos meses (Fonte: Unsplash)
Produtores apontam que preço pode cair nos próximos meses se a demanda continuar menor do que a oferta. (Fonte: Unsplash)

Renda influencia no consumo de hortifruti

Por fim, outra análise interessante diz respeito ao impacto da renda no consumo de frutas e hortaliças. De acordo com informações da consultoria Nilsen, divulgadas pela revista Hortifruti Brasil, os hábitos de consumo foram diferentes entre brasileiros mais afetados economicamente pela pandemia e aqueles menos prejudicados.

O primeiro grupo está cortando despesas, buscando promoções e priorizando gastos essenciais, enquanto o segundo busca reproduzir a experiência gastronômica de bares e restaurantes dentro de casa, com receitas mais elaboradas e pedidos de delivery.

Sendo assim, a publicação aponta que os Ceasas, os sacolões e as feiras — que atendem ao público mais afetado economicamente — registraram queda nas vendas. Já as redes de varejo voltadas às classes mais abastadas aumentaram seu faturamento com frutas e hortaliças no período.

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Fonte: Hortifruti Brasil/Cepea.