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Sementes brasileiras são enviadas para banco da Noruega

Maior do mundo, banco de germoplasma norueguês armazenará amostras enviadas pela Embrapa para preservação em longo prazo

Sementes brasileiras são enviadas para banco da Noruega
14/04/2020 • 2 min. de leitura

Com capacidade para armazenar 4,5 bilhões de amostras de sementes, o banco de germoplasma no arquipélago de Svalbard, no ártico norueguês, receberá uma remessa com 3.438 unidades genéticas enviadas do Brasil pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para compor o maior reservatório de sementes do mundo. Serão 3.037 acessos de arroz, 87 de milho, 119 de cebola, 132 de pimentas capsicum e 68 de cucurbitáceas (abóbora, moranga, melão, pepino, maxixe e melancia), que serão mantidos a -18°C.

Encravado no meio de rochas e gelo ártico, o Silo Global de Sementes de Svalbard é uma joint-venture da Noruega e da Organização das Nações Unidas (ONU) inaugurado em 2008. Apelidado de "cofre do fim do mundo", funciona como um banco mundial de sementes e foi criado como forma de evitar a extinção de espécies vegetais em caso de catástrofes, como mudanças climáticas, guerras nucleares e quedas de asteroides.

Kerry Fowler, diretor-executivo do silo à época, declarou na inauguração do projeto que "é o plano B, a rede de segurança, a política de seguro. E sabemos que grande parte da diversidade está sendo perdida mesmo em bons bancos genéticos".

Sementes no banco da Noruega
(Fonte: Svalbard Global Seed Vault/Riccardo Gangale)

O material enviado foi recolhido em bancos de germoplasma mantidos pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília/DF), Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás/GO), Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas/MG), Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS) e Embrapa Hortaliças (Brasília/DF).

Parceria de longa data

Não é a primeira vez que a Embrapa envia material genético para o banco da Noruega; em 2014, foram enviados 514 acessos de feijão e em 2012, 264 de milho e 541 de arroz. A iniciativa é decorrente do acordo assinado em 2008 entre a Embrapa e o Real Ministério de Agricultura e Alimentação da Noruega.

Hermeticamente fechadas em embalagens aluminizadas e identificadas com código de barras em caixas plásticas, as amostras foram enviadas pela Embrapa pelos Correios até Oslo, capital da Noruega. De lá, seguiram até o arquipélago de Svalbard, no Círculo Polar Ártico.

Em 25 de fevereiro, as reservas serão depositadas no Banco Mundial de Sementes de Svalbard, que é aberto apenas quatro vezes por ano, em uma cerimônia com a presença da Primeira-Ministra da Noruega, Erna Solberg, delegados de vários países e representantes de bancos de germoplasma. A supervisora de Curadorias de Germoplasma Vegetal da Embrapa, Rosa Lia Barbieri, representará o Brasil e acompanhará o evento.

Embalagens das sementes enviadas à Noruega
(Fonte: José Cruz/Agência Brasil)

Barbieri é pesquisadora da Embrapa desde 2002 e neste ano assumirá — no mesmo dia do depósito das sementes — uma cadeira no Painel Consultivo Internacional (IAP, na sigla em inglês) na gestão do Banco Global de Sementes de Svalbard. A representação terá mandato de dois anos, período em que a Embrapa será a única instituição de pesquisa da América Latina presente no grupo.

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Fonte: BBC,  Embrapa. Agência Brasil