Tecnologia viabiliza diagnóstico precoce de mastite bovina

6 de outubro de 2020 4 mins. de leitura
Com análise de células somáticas, tecnologia nacional auxilia produtores de gado leiteiro a evitarem prejuízos

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A mastite bovina é uma das doenças mais prejudiciais para o gado leiteiro. Além de significar perigo para a saúde humana, a presença da doença nos animais causa a perda na produtividade e na qualidade do leite.

De acordo com um estudo de 2016 realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a mastite bovina acomete de 20% a 38% dos rebanhos brasileiros, causando uma perda de 12% a 15% da produção leiteira. Como solução para reduzir os prejuízos, o programa Nascer — criado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) em parceria com o Sebrae — está desenvolvendo uma tecnologia que viabiliza a detecção precoce da doença no gado leiteiro.

Vacas em fila para retirada de leite
(Fonte: Shutterstock)

Tecnologia a favor da sanidade animal e da segurança alimentar

O dispositivo que está sendo elaborado pela empresa Cowlity analisa as células somáticas presentes nas amostras da ordenha. Dessa forma, ele consegue emitir um alerta caso haja alteração na contagem das células que signifique uma infecção em estágio inicial.

A detecção precoce é uma excelente estratégia para os produtores, e a tecnologia permite a identificação da mastite antes mesmo dos primeiros sintomas da doença. Essa agilidade e eficiência na testagem auxilia os produtores e gestores a entrarem com ações de remediação e controle, assim como medicação e tratamento dos animais, evitando prejuízos mais severos.

Além disso, reafirmando a proposta da pecuária 4.0, o dispositivo torna a análise mais prática e otimizada do que os testes realizados atualmente. Desse modo, a conferência das células somáticas pode ser feita diariamente durante a ordenha.

A tecnologia que integra o programa Nascer está em fase de validação, e a previsão é de que a solução esteja disponível no mercado até o fim de 2021.

Vacas com numeração nas orelhas
(Fonte: Shutterstock)

O que é a mastite bovina e quais são os impactos da doença para o agronegócio

Em resumo, a mastite ou mamite é uma inflamação da glândula mamária causada por ação de microrganismos como vírus, bactérias ou fungos, por ação de agentes químicos ou traumas e lesões. A doença pode se manifestar através de sintomas clínicos ou apenas pela queda na produção e na qualidade do leite.

Em casos com sintomas avançados, é possível observar que a região do úbere e tetos ganha um aspecto inflamatório, com vermelhidão, aumento de tamanho e febre. Os animais também podem sentir dor nessa região, o que reforça a queda na produção e o estresse. Além disso, o leite pode ser contaminado por grumos e pus.

Quando não há sintomas aparentes, quadro conhecido como de mastite bovina subclínica, não há alterações visíveis em úbere, tetos ou leite. No entanto, há a redução significativa da produção de leite e o aumento das células somáticas.

Para evitar a contaminação de vacas sadias, os cuidados com o manejo são essenciais. Separar os animais sadios e doentes na hora da ordenha, por exemplo, é uma das medidas recomendadas para prevenir a disseminação da doença. 

Por isso a tecnologia de detecção precoce de mastite é uma solução estratégica e promissora para os produtores de gado de leite, que poderão adotar manejos preventivos e precisos em tempo hábil para minimizar os danos.

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Fonte: Tecnologia no Campo e Fapesc.

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