Produção de orgânicos cresce, mas desafios ainda são entraves difíceis

15 de agosto de 2019 4 mins. de leitura
Os desafios enfrentados pelo setor são muitos e não são novos. Iniciativas pontuais tentam mudar o cenário

O interesse crescente em alimentos livres de contaminação e mais saudáveis tem ajudado a impulsionar o crescimento da produção de orgânicos no Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura, no ano passado o setor faturou R$ 4 bilhões, número que representa um aumento de 20% em relação a 2017. Porém, apesar desse panorama positivo, os desafios enfrentados pelos produtores impedem um crescimento mais rápido e sólido do setor.

(Reprodução: Pexels)

Esses obstáculos abrangem quase que todos os aspectos desse modelo de produção de orgânicos. Mas entre eles alguns se destacam. Esse é o caso da desinformação. Mesmo considerando que os orgânicos não são novidade, diversos preconceitos e ideias equivocadas ainda persistem.

Os pontos mais recorrentes sugerem que a produção de orgânicos, no fundo, seja uma volta ao passado, algo rudimentar e sem tecnologia e que, por isso, não pode ser considerada uma fonte para alimentar a humanidade. E isso faz com que a percepção que se tem do produtor seja de alguém preso ao passado, o que não está de acordo com a realidade.

Outro aspecto apontado como um desafio complicado de ser superado é a falta de investimentos. Aqui entram pontos como produção de insumos e sementes, assistência técnica especializada e pesquisas. Ao contrário do que muitos imaginam, o termo “agricultura orgânica” não é algo simples, existem determinadas ações e campos que precisam de cuidados e conhecimentos específicos.

Na avaliação de especialistas, o ponto crítico é a falta de estudos que possam direcionar e servir como suporte para os produtores, especialmente na questão das vantagens e desvantagens de cada tipo de cultivo.

O desenvolvimento de novas tecnologias e maquinários que contribuam para aumentar o nível de competitividade e produtividade dos orgânicos no mercado também entra nessa mesma categoria.

Em todo o mundo são as grandes empresas que financiam e investem em pesquisas. No caso dos orgânicos essa participação ainda é muito tímida no Brasil e isso reflete em um desenvolvimento lento, mesmo sabendo que há iniciativas pontuais que visam impulsionar o crescimento do setor.

Outro desafio para o qual ainda não existe nenhuma solução eficaz é o preço alto dos produtos orgânicos, especialmente nos grandes centros urbanos do país. O que se vê no atual momento, é que tanto grandes redes de varejo quanto lojas especializadas, tem apostado no segmento como um nicho de mercado voltado para o consumidor com um nível de renda mais alto ou para aqueles que tenham um compromisso ideológico.

Apesar de ser uma ação que tem seus pontos negativos esse tipo de prática parece funcionar na maior parte dos casos. Ou seja, o valor agregado do produto é que atrai o consumidor e não o seu preço. Para muitos, a ideia válida é de que o “orgânico não é caro, a saúde é que tem valor”.

Se por um lado agregar valor aumenta o preço e a qualidade da demanda por parte do consumidor, do outro temos um campo limitado e de nicho, fator que também trava o crescimento de qualquer coisa no campo do agronegócio.

No caso dos preços altos, um aspecto que tem grande participação na elevação do valor final da produção de orgânicos tem origem nos próprios produtores. Isto é, na falta de uma organização coletiva que possa impactar de forma positiva a eficiência em termos de logística.

Um exemplo disso, são as entregas que não podem viajar nos mesmos caminhões que os alimentos convencionais. Para um produtor sozinho lidar com essa questão é algo um tanto complicado, mas para um grupo seria mais viável e prático encontrar uma solução.

Apesar de tudo, há algo bom. No caso do Brasil, o fator positivo e motivo de grande otimismo é que o segmento está crescendo (lentamente) impulsionado pelo consumidor que anda mais preocupado com sua saúde e não empurrado por grandes redes visando antes de qualquer coisa, o lucro em detrimento da qualidade.

Além disso, é possível ver um número crescente de produtores do campo e entidades trabalhando em parceria para a superação de parte desses desafios, o que a longo prazo pode trazer mudanças importantes e fundamentais.

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Fontes: Sebrae, Embrapa, Organis, IBGE.

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